terça-feira, 11 de junho de 2013

Supertelescópio em deserto do Chile descobre 'fábrica' de cometas


Supertelescópio em deserto do Chile descobre 'fábrica' de cometas

Alma identificou fenômeno ao ver 'armadilha' de poeira em volta de estrela.
Região fica a 400 anos-luz da Terra, na constelação do Serpentário.

Do G1, em São Paulo
Concepção artística mostra 'armadilha' de poeira no sistema Oph-IRS 48 (Foto: ESO/L. Calçada)Concepção artística mostra 'armadilha' de poeira no sistema Oph-IRS 48 (Foto: ESO/L. Calçada)
O supertelescópio Alma (sigla de Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), instalado no Deserto do Atacama, no Chile, identificou pela primeira vez uma "fábrica" de cometas ao observar uma "armadilha" de poeira ao redor de uma estrela jovem, a 400 anos-luz da Terra.
Os resultados do estudo, coordenado pelo Observatório de Leiden, na Holanda – e com participação de institutos e universidades dos EUA, Chile, Alemanha, Irlanda e China –, serão publicados na revista "Science" desta sexta-feira (7), e estão antecipados online nesta quinta (6). Os registros foram feitos quando o Alma ainda estava sendo construído – a inauguração ocorreu em março.
Esta é a primeira vez que uma armadilha de poeira do tipo é claramente observada e reproduzida – até agora, não havia provas concretas de que elas realmente existissem.
A estrela identificada no sistema Oph-IRS 48, na constelação do Serpentário, é rodeada por um anel de gás com um buraco central, provavelmente criado por um planeta invisível ou uma estrela companheira.
A armadilha, localizada no redemoinho de gás do disco, funciona como um "porto seguro" para favorecer o crescimento de partículas de poeira, que começam como grãos milimétricos que vão se colidindo e aglutinando, até atingir a dimensão de cascalhos ou pedregulhos de um metro de comprimento, capazes de formar cometas.
Essa cilada tem um tempo de vida médio de centenas de milhares de anos – apesar disso, mesmo quando perde sua função, a poeira acumulada leva milhões de anos para se dispersar.
Segundo os autores, liderados pela cientista Nienke van der Marel, a descoberta soluciona um mistério de longa data sobre a formação dos planetas, pois ajuda a explicar como as partículas de poeiras nos discos estelares crescem até atingir o tamanho suficiente para formar cometas, planetas e outros corpos rochosos.
Há tempos, os cientistas sabem que há inúmeros planetas orbitando em torno de estrelas, mas o que eles ainda não compreendem muito bem é como esses corpos se formaram.