arenito
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Foto da rocha
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Fotomicrografia
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Amostra de
arenito com granulação média e camadas estratificadas marcadas por
micas.
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Cristais de quartzo anhedrais em arenito, nicóis paralelos, aumento 40x.
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Os sedimentos são
formados a partir da
rocha-matriz. Por ações intempéricas os minerais relativamente instáveis
são destruídos e os minerais quimicamente mais estáveis são
enriquecidos proporcionalmente. O quartzo é o mineral estável mais
abundante e o feldspato é um exemplo de mineral
instável em clima quente e úmido, sendo transformado em argila. Portanto
o índice de maturidade mineralógica (química) de uma rocha pode ser
expresso pela razão quartzo/feldspato.

A maturidade textural
ou
física descreve as mudanças texturais que um sedimento sofre, desde a
desagregação das rochas, erosão e transporte, até a deposição. Essas
mudanças envolvem tanto o grau de seleção da fração arenosa quanto o
decréscimo da quantidade de matriz (fração síltico-argilosa).
A maturidade textural (física)
e a mineralógica (química) ocorrem durante a história de transporte dos
sedimentos. Portanto, em geral, uma areia fisicamente
madura é também quimicamente madura. Isso porque a composição mineralógica é
bastante dependente da proveniência, enquanto a composição textural é
mais o resultado de processos de transporte e deposição.
Os critérios de maturidade
estão destacados na tabela abaixo:
Maturação | Textural | Critérios | presença de matriz | imaturo |
seleção | (ruim) submaturo | |||
(ruim) maturo | ||||
arredondamento | (bom) supermaturo | |||
Mineral | Quartzo arenito | |||
Arcósio | ||||
Litoarenito |
Entre as areias e os
arenitos pobres em matriz, os que possuem menos de 5% de feldspato ou
partículas de rochas são chamados arenitos ortoquartzíticos
(quartzo-arenitos). Os arenitos com 25% ou mais de grãos de feldspato e
menor quantidade de fragmentos líticos são os arenitos arcosianos.
A figura ao lado é de uma
fotomicrografia de um arenito arcosiano, com grãos de quartzo
e feldspatos (geminados); nicóis cruzados; aumento 40x.
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Eles constituem os
produtos finais de evolução de sedimentos arenosos, apresentando na
fração detrítica mais de 95% de quartzo. Sua cor é em geral
branca (figura ao lado), podendo ser rósea ou avermelhada (devido ao
revestimento de hematita que envolve os grãos).
Geralmente são de origem litorânea.
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Os arenitos arcosianos
ou arcósios contêm mais de 25% de feldspato de origem detrítica. O
arcósio típico é uma rocha de granulação
grossa e coloração cinza ou rósea-avermelhada (figura ao lado), esta
última atribuída a fragmentos de feldspatos potássicos.
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São caracterizados por
conter mais de 25% de partículas detríticas de fragmentos de rochas,
e por
ter pouca ou nenhuma matriz. Apresentam em geral cor cinza (figura ao
lado) e abundantes partículas líticas, constituídas principalmente de
rocha sedimentares (folhelho, siltito,
arenito), metamórficas de baixo grau (ardósia, filito, mica-xisto) e
ígneas.
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São de coloração
cinza-média à escura, compostas de grãos
com granulometria variada. A fração arenosa tem quartzo, e
proporções variáveis de feldspatos e partículas líticas, além de
micas detríticas. Partículas de rochas predominantes são as de
folhelho, siltito, ardósia, filito e
mica-xistos, que emprestam a cor escura e formam uma pseudomatriz
com a
compactação. A fotomicrografia ao lado mostra uma grauvaca com
grãos mal selecionados (nicóis cruzados; aumento
40x).
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argilito
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São rochas lutáceas
(granulação de argila, menor que 0,004 mm) maciças e compactas, sendo compostas por argilas litificadas, isto é,
argilas compactadas e exibindo orientação dos minerais foliados.
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Amostra de argilito, aspecto
untuoso e coloração clara.
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São rochas argilosas
firmemente endurecidas,
porém, não tão compactadas a ponto de se transformarem em folhelhos. Sua
formação implica na recristalização do material original. Estas rochas
argilosas, quando apresentam
fissilidade de modo a se esfoliar segundo lâminas finas e paralelas, são
denominadas folhelhos.

calcário
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Foto da rocha
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Fotomicrografia
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Amostra de calcário com cristais de pirita. | Cristais de calcita com alta birrefringência em amostra de calcário; nicóis cruzados; aumento 40x. |

Recifes de corais, conchas de moluscos,
algas calcárias, equinodermas, briozoários, foraminíferos e protozoários são os principais responsáveis
pelos depósitos provenientes de organismos sintetizantes do carbonato
dissolvido em meio aquoso. Esses depósitos são gerados em ambiente marinho raso, de águas quentes, calmas e transparentes. Os
organismos morrem e suas conchas e estruturas calcárias vão se depositando no
local.
No caso da precipitação química, o
carbonato dissolvido na água se cristaliza e não tem, portanto, nenhum vínculo com
carapaças de organismos.
Quanto à nomenclatura,
existem várias possibilidades. No diagrama ao lado, é considerada a
classificação composicional de rochas que contenham pelo menos 50% de
carbonato em sua composição.
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Quanto a nomenclatura, na
classificação de Folk (1959), o arcabouço fornece o prefixo do nome da
rocha: oo (para oóide), bio (para fósseis), pel (para pelotilhas) e intra
(para intraclastos). O carbonato intersticial fornece o sufixo do nome da
rocha: micrito (para matriz lamítica calcária, com ambiente de deposição
calmo) e esparito (cristais de carbonato, maiores que 30 mm, precipitado
em calcarenito de alta energia.
A tabela abaixo refere-se ao
sistema classificatório de rochas carbonáticas desenvolvida em 1959 por
Folk, em Suguio (1980).
Intraclastos
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Intraesparito
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Intramicrito
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Oóides
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Ooesparito
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Oomicrito
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Bioclastos
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Bioesparito
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Biomicrito
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Pelotilhas
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Pelesparito
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Pelmicrito
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Dunham (1962) em Suguio
(1980), propôs uma
classificação onde deu destaque às texturas
deposicionais, como mostra a tabela abaixo:
Textura deposicional reconhecível | Textura deposicional não reconhecível | ||||
componentes originais não ligados à deposição | componentes originais ligados à deposição | carbonato cristalino | |||
contém lama (matriz)
argila/silte |
sem lama (grão-suportado) |
||||
suportado por matriz (fino)
|
arcabouço
(grosseiro) |
||||
<10% | >10% | ||||
Mudstone | Wackestone | Packstone | Grainstone | Boundstone | |
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*clique sobre as fotos para ampliá-las (fotos de http://www.science.ubc.ca/) |
Existe também a classificação
de Embry e Klovan (1971) em
Suguio (1980), onde os calcários são divididos em Mudstone,
Wackestone, Packstone, Grainstone, Floatstone, Rudstone e Boundstone,
respectivamente, como
mostra a tabela abaixo:
Calcários alóctonos | Calcários autóctonos | ||||||
< 10% dos componentes maiores que 2mm | >10% dos componentes com mais de 2mm |
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organismo constróem um arcabouço rígido | ||||
contém lama calcária <0,005mm | suportado pela matriz | suportado por componentes maiores que 2mm | Calcário cristalino | ||||
sup. pela lama
|
sup. por grãos
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||||||
<10% | >10% | sem lama | |||||
Mudstone | Wackestone | Packstone | Grainstone | Floatstone | Rudstone | Boundstone | |
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*clique sobre as fotos para ampliá-las (fotos
de http://www.science.ubc.ca/)
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A classificação adotada pela
Petrobrás especifica os grãos aloquímicos e variações na constituição
mineralógica da rocha, como mostra a tabela abaixo. As figuras referentes à esta classificação podem ser
visualizadas na galeria
de fotos.
Arcabouço | Granulometria | Razão matriz-cimento | Grãos aloquímica | Variações |
suportada pelos grãos | -calcirrudito (>2mm) -calcarenito (2mm a 0,062mm) |
-micrito
-micrito/espático
-espático
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-oolítico -oncolítico -bioclástico -intraclástico -peletoidal -peloidal |
-dolomitizado -silicificado -recristalizado -fosfatizado -com pirita -glauconita -grãos de... -quartzo -feldspato -micas -fragmento de rochas -etc... |
suportada pela matriz | -calcissiltito
(0,062mm a 0,004mm) -calcilutito (<0,004mm) |
-espático "a birdserve" |
A
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-oólitos -oncolitos -bioclastos -intraclastos -peletes -pelóides |

O calcário, sob determinadas condições geológicas, pode constituir um importante reservatório petrolífero.
chert
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Chert é um tipo de rocha composta principalmente de
sílica, onde os cristais de quartzo apresentam tamanho
submicroscópico (criptocristalino).
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Amostra de chert, rocha clara
constituída basicamente por sílica microcristalina.
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O chert possui brilho encerado,
e dureza e densidade próximas às do quartzo.

conglomerado
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Conglomerado
é uma rocha formada por clastos rolados, de tamanho superior à 2 mm, agrupados por um
cimento, formando um depósito consolidado.
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Conglomerado em matriz de arenito
grosso.
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O arcabouço desta rocha
é caracterizado por seixos, areia grossa e cimento químico. Representa
um produto de deposição em águas muito agitadas (ambiente de alta
energia), sendo portanto rico em estruturas hidrodinâmicas, podendo-se
apresentar associado à um arenito grosso com estratificações cruzadas.

Não são muito
grossos,
e os seixos possuem em média 1 a 2 cm. São os mais comuns, sendo bem arredondados
devido à um intenso retrabalhamento.
Estes depósitos ocorrem principalmente na base de camadas de arenitos,
ou formando espessos depósitos de conglomerados amalgamados. Os da base constituem os chamados conglomerados
basais, e a geometria varia de tabular à lenticular.

Os clastos dos
conglomerados são de litologia variada, podendo aparecer seixos e
calhaus de rochas plutônicas, eruptivas, sedimentares e metamórficas.
Segundo Suguio (1980),
as
características granulométricas são sempre muito parecidas: granulação
muito
grossa; grande números de classes texturais nas frações
grossas; caráter polimodal dos seixos; deficiência de materiais da
classe dos grânulos (de 2 a 4 mm); caráter em geral unimodal dos
arenitos intercalados; distribuição log-normal das freqüências
granulométricas das areias;
correlação do material conglomerático e espessura das camadas.
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Segundo Suguio (1980), estas rochas contém mais matriz que
clastos e, na realidade, são lamitos (lamas litificadas) com seixos e calhaus dispersos. Em muitos casos, os seixos formam
cerca de 10% ou menos da rocha. Alguns seixos e calhaus podem ser constituídos
por lamitos e argilitos.
A fotomicrografia ao lado mostra um paraconglomerado, pobre em grãos de
quartzo, (nicóis cruzados; aumento 40x).
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O termo conglomerado lamítico é mais comumente utilizado para conglomerados
deste tipo, contendo mais
megaclastos e matriz. Existem dois tipos básicos de lamitos conglomeráticos:
estratificado e maciço.
Os lutitos conglomeráticos são originados pela
deposição de fragmentos grossos sobre lama e siltes acumulados em fundo aquoso, sendo
comuns deformações produzidas pelo impacto da queda desses fragmentos maiores sobre
o material inconsolidado.


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folhelho
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Os
folhelhos são rochas que possuem grãos de tamanho argila. Diferenciam-se dos argilitos
porquê possuem
lâminas finas e paralelas esfoliáveis, enquanto os argilitos apresentam as argilas com aspecto mais maciço.
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Amostra de folhelho, grãos do
tamanho argila e lâminas finas e paralelas esfoliáveis.
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- alternância de partículas mais finas e mais grossas, por exemplo argila e silte;
- materiais mais claros alternados com materiais mais escuros, e carbonato de cálcio em alternância com silte;
- a combinação dos fatores acima citados.
Os folhelhos são
originados de rochas expostas ao intemperismo e erosão, sendo
os sedimentos detríticos depositados em áreas baixas e planas dos
continentes e
oceanos. Com o acúmulo dos depósitos sedimentares, os mais antigos vão
sendo soterrados em profundidade, ocorrendo então a diagênese,
ou litificação. Em virtude da granulação muito fina, as rochas são muito
suscetíveis
a rearranjos mineralógicos, originando alguns minerais autigênicos, isto
é, grupos de minerais formados durante a sedimentação ou na fase de
diagênese precoce, podendo então indicar as condições físico-químicas
dos
ambientes de sedimentação. Esse rearranjo seria provavelmente a
principal causa da litificação dos folhelhos.
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Segundo
Suguio (1980), a composição dos folhelhos pode variar de acordo com a rocha
à que estes estão associados, assim como a coloração, do vermelho amarronzado ao
preto.
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Os folhelhos normalmente derivam de dois tipos de
ambientes: marinho (ricos em clorita e argilas do grupo da illita) ou de água doce (enriquecidos em montmorilonita).
A composição das rochas associadas pode variar bastante,
sendo controlada pelo tectonismo ou geomorfologia da bacia sedimentar onde se encontram. Folhelhos
ligados a grauvacas são micáceos ou cloríticos, associados a arcósios são ricos em caulinita, etc.
Os folhelhos negros são muito ricos em matéria
orgânica de (3 a 15%), e desagregam-se em lascas finas, semiflexíveis e altamente físseis.
Os folhelhos comuns apresentam menos de 1%.
Sulfetos, como a pirita, aparecem com freqüência em sua composição mineralógica, e
são raros os fósseis encontrados.
Os folhelhos silicosos são caracterizados pelo alto teor de sílica, cerca de 85% de sua composição (o teor médio é de 58% de
SiO2).
Os folhelhos aluminosos são
assim chamados quando excedem 22% de Al2O3 (a média de alumina é de
15,4%). Sua origem ainda é motivo de discussões no mundo científico.
Os folhelhos calcíferos
são ricos em CaCO3, originado por precipitação química ou fragmentos de carapaças calcárias de
organismos. Com o aumento do carbonato nos folhelhos, a fissilidade tem diminuição gradativa, passando para
marga e calcário argiloso.

ritmito
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Por
definição, ritmitos são rochas que apresentam estratificação plano-paralela, que se deve
à uma alternância
de duas litologias diferentes, formando estratos semelhantes e
repetitivos.
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Amostra de folhelho, grãos do
tamanho argila e estratos finos e paralelos esfoliáveis.
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A produção de ritmitos deve-se a
um ou dois tipos básicos de processos:




siltito
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Os
siltitos são rochas cujos grãos variam de 0,002 mm a 0,06 mm, podendo
exibir coloração amarronzada, verde ou esbranquiçada.
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Afloramento de siltito, exibindo laminação plano-paralela. (Foto de
Perinotto, 1992).
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Como são rochas ricas em silte, geralmente estão
ligadas à um ambiente de deposição de baixa energia, podendo ser desde fluvial
até marinho profundo.

tempestito
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![]() |
Tempestitos exibindo marcas de
onda do tipo Hummocky. (Fotos de Perinotto, 1992).
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![]() Os intervalos seguintes exibem estratificações e laminações onduladas truncantes, indicando fluxo oscilatório. Os intervalos superiores são identificados por um material mais fino, síltico-argiloso, podendo terminar em contato discordante com o calcário, apresentanto marcas de organismos. |
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turbidito
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Os
turbiditos são formados a partir de fluxos de correntes de turbidez ou correntes de
densidade. Ao se depositarem, é formado um estrato característico
(sequência Bouma), por decantação seguida de tração.
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Afloramento de turbidito ao lado,
mostrando típica sequência de Bouma, figura de Perinotto (1992).
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A sequencia de Bouma
típica
para turbiditos (figura ao lado) é formada por um único intervalo,
com afinamento para o topo, dentro de um único estrato. Inicia-se com
um
intervalo (A), em média
de 10 cm de
espessura, de arenito grosso a médio apresentando
granodecrescência ascendente,
e com
feições erosivas na base (marcas de sola).
O intervalo B identifica-se como arenito com laminação plano-paralela, e o C
é marcado pela presença
de laminações cruzadas clino-ascendentes. A granodecrescência ascendente termina nos intervalos D e E com a presença de um material mais fino (silte e argila). |
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