terça-feira, 11 de junho de 2013

Estudo identifica proteína usada para converter aprendizado em memória

Estudo identifica proteína usada para converter aprendizado em memória

Cientistas ligam deficiência na produção da proteína Arc com perda de memória e doenças como o mal de Alzheimer.

Da BBC

Cérebro (Foto: BBC)Estudo sobre o cérebro foi publicado na revista
científica 'Nature Neuroscience' (Foto: BBC)
Cientistas encontraram novas informações sobre a função de uma importante proteína no cérebro usada no processo que transforma o aprendizado em memória de longo prazo.
Em artigo publicado na revista científica "Nature Neuroscience", os autores afirmam que mais pesquisas sobre o papel da proteína Arc (actin-regulated cytoskeleton) poderia ajudar na busca por novos tratamentos contra doenças neurológicas.
A mesma proteína também pode ser um fator atuante no autismo, dizem os cientistas. Estudos recentes detectaram a falta de Arc no cérebro de pacientes com mal de Alzheimer e viram que a função dessa proteína era crucial.

Para o professor de neurologia e fisiologia Steve Finkbeiner, que liderou a pesquisa na Universidade da Califórnia, "cientistas já sabiam que a Arc estava envolvida na memória de longo prazo, porque cobaias com falta dessa proteína puderam aprender novas tarefas, mas falharam ao tentar lembrar-se delas no dia seguinte".
Os novos experimentos, mais aprofundados, revelaram que a Arc age como um "regulador mestre" dos neurônios durante o processo de formação da memória de longo prazo.
O trabalho revelou ainda que, durante a formação da memória, certos genes eram ativados e desativados em intervalos de tempo específicos, para que fossem geradas as proteínas que ajudam os neurônios a estabelecer novas memórias.
Direção
Os cientistas descobriram que a proteína Arc "dirigia" esse processo, a partir do núcleo do neurônio. Finkbeiner disse que pessoas com falta dela poderiam ter problemas de memória.
"Cientistas descobriram recentemente que a Arc se esgotava no hipocampo – o centro da memória no cérebro – em pacientes com Alzheimer. É possível que essas interrupções durante o processo de controle homeostático (regulação do ambiente interno do corpo para manter uma condição estável para a vida) possam contribuir para o aprendizado e para o deficit de memória em pessoas com Alzheimer", explicou o autor.
A pesquisa também confirmou que disfunções na produção e no transporte da proteína Arc podem ter uma papel-chave no autismo. A Síndrome do X Frágil, por exemplo, vista como uma causa comum tanto de autismo como de retardo mental, afeta diretamente a produção dessa proteína nos neurônios.
O time californiano de cientistas afirmou que mais estudos são necessários sobre a função da proteína Arc para a saúde humana. Eles ressaltaram que entender o papel dela em doenças poderia contribuir para uma maior compreensão desses problemas e ajudar na criação de novas estratégias terapêuticas para combatê-las.