sexta-feira, 14 de junho de 2013

Código genético lança luz sobre microalga especialista em adaptação


É uma coisa minúscula - um organismo unicelular visível apenas com microscópio -, no entanto é uma das formas de vida mais bem sucedidas do planeta.
Pelo menos é o que dizem os cientistas, que publicaram esta quarta-feira o código genético de uma alga marinha denominada 'Emiliania huxleyi', cuja assombrosa adaptabilidade a permite florescer do Equador ao sub-Ártico.
Conhecida com o nome de cocolitoforídeo, a alga tem uma concha fina e dura de carbonato de cálcio.
Pilhas condensadas de bilhões de cocolitoforídeos mortos formam, por exemplo, os Penhascos Brancos de Dover.
No oceano, "florescências" de algas podem cobrir milhares de quilômetros quadrados e sua luz refletida pode ser vista do espaço.
De forma menos visível, a microalga também tem um lugar essencial no ecossistema e na complexa equação da mudança climática, que explica a tentativa de sequenciar seu DNA.
Assim como o fitoplâncton, o cocolitoforídeo é um elo básico na cadeia alimentar dos oceanos. Ele também absorve grandes quantidades de dióxido de carbono na superfície do oceano, auxiliando na atenuação do efeito estufa.
Originalmente, pensava-se que seu genoma tivesse apenas 30 bilhões de bases ou "cadeias" na escala de DNA.
Finalmente, revelou ser um emaranhado de 141 milhões de bases, com pelo menos 30 mil genes, um terço a mais do que a quantidade de genes humanos, embora nosso genoma seja muitas vezes maior.
A pesquisa levou mais de dez anos para ser concluída.
Descobrir como funciona esta microalga poderá, algum dia, ajudar a pesquisa médica e a compreender melhor o impacto dos gases de efeito estufa neste organismo vital.
Identificar os genes e as proteínas que a ajudam a construir sua pequena concha poderia levar ao desenvolvimento de novos materiais compostos para próteses ósseas.
"O genoma, por assim dizer, é o 'disco rígido' de um organismo", afirmou Klaus Valentin, do Instituto Alfred Wegener de Pesquisa Polar e Marinha.
"Todas as propriedades estão codificadas ali, sua aparência, como se adapta, como compete com os outros. Se soubermos os dados deste disco rígido, podemos aprender muito sobre o que este organismo pode fazer e como reage às alterações resultantes, por exemplo, das mudanças climáticas", acrescentou.