quinta-feira, 13 de junho de 2013

O que é Processamento Sísmico

Processamento Sísmico


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O que é Processamento Sísmico
Os termos Processamento e Tratamento de Dados Sísmicos são aqui adotados alternadamente para expressar, basicamente, uma mesma coisa: rotinas ou algoritmos aplicados seqüencialmente a dados sísmicos de campo, ou já pré-processados, para se obter o melhor resultado final, que torne cada dado o mais interpretativo possível, para um objetivo principal geológico desejado.  Rotinas e algoritmos que são divididos a partir de um ponto de vista físico, com menos ênfase à Matemática, usando o significado geométrico para ajudar o entendimento dos conceitos. Parâmetros geofísicos, que afetam a fidelidade do resultado final (saída) de cada processo, são aqui examinados, criticamente, através de uma série de exemplos sintéticos e reais. 
Essa referencia será usada naquilo em que se apliquem a aspectos teóricos de propagação de ondas e séries temporais, entremeados com alguma experiência em tais temas aplicados à área de hidrocarbonetos.
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(Texto_PS_001_20/01/2013) 
 
Ylmaz (2001), como aqui será referenciado constantemente, ressalta um aspecto real do dia a dia do geofísico de processamento, qual seja que, permanentemente, esse profissional é confrontado com a importância de algumas tarefas:
 
 1 – Selecionar uma seqüência adequada de passos de processamento para um certo dado de campo, sob análise.
2 -  Adequar os parâmetros para cada um dos passos selecionados no item anterior.
3 – Avaliar o resultado de saída de cada processo e diagnosticar qualquer problema causado por alguma parametrização incorreta ou resposta não desejada.
 
Essas 3 tarefas podem ser desmembradas em sub-tarefas e a atuação do geofísico através delas é iterativa e interativa, sempre buscando uma otimização dos resultados, guardando sempre a melhor (ou a menor) relação custo-benefício do processamento como um todo.
 
Em síntese, aplica-se uma estratégia de processamento que é, fundamentalmente, similar a outra já experimentada, mas que nunca será exatamente igual a uma anterior, criando assim uma “impressão digital” de cada processamento.
 
A iteração citada é maior quando há uma boa dose de interação do geofísico de processamento com o geofísico de interpretação. Talvez no futuro, breve, não haja mais essa discriminação e cada geofísico atue no total de tarefas de processamento e interpretação. Isso não acontece hoje muito devido à complexidade operacional de cada processo e ao tempo que demanda a interpretação de dados, o que torna natural a atuação de grupos separados.
 
Pode-se, desde já, citar os principais processos que hoje a indústria trabalha em rotinas de processamento: deconvolução, empilhamento (stacking), migração e inversão. Esses dois últimos processos são, atual e comumente, agrupados num processo denominado imageamento (imaging), que engloba a migração pré-empilhamento (em tempo ou profundidade) e que não aplica, necessariamente, o empilhamento NMO convencional, gerando-se de imediato a seção sísmica (ou volume) migrada, em tempo ou já em profundidade.
 
Além desses processos principais, diversos outros “secundários”, ou “auxiliares”, mas não menos importantes, são necessários nas rotinas de processamento: demultiplexação; filtragens (em uma, duas e três dimensões); aplicação de NMO/DMO; correções estáticas; análises de velocidade; silenciamento de janelas de traços (muting) ; etc....., que podem ser tratados como etapas de pré-processamento.
 
Todo o sucesso de um processamento sísmico global não depende apenas de um “bom” tratamento sísmico das partes: depende em muito da qualidade do dado de campo. Tal qualidade pesa diretamente na estratégia, nos parâmetros, nos processos aplicados, com implicação no custo total envolvido.
 
A técnica de aquisição de campo é um fator dominante dessa qualidade. A técnica CMP (common-mid-point) (vide a seção Ilustrando o Dicionário Texto_ID_001_20/01/2013 aqui deste Espaço)  - é a que mais tem oferecido resultados de sucesso para a imagem sísmica de sub-superfície, pois ao pressupor redundância ( soma, cobertura - fold) de informações em fase (coerentes) e destruição da energia de “ruídos”, fora de fase, tal técnica aumenta a qualidade do sinal desejado.
 
Em termos de controle de fatores de campo, algumas considerações gerais do planejamento e realização da aquisição são fundamentais:
* condições superficiais (em terra: tipo de solo; altitudes; rugosidade; aridez; umidade; ruídos superficiais; etc... No mar: clima, marés, correntes e estações do ano)
* meio ambiente ( áreas de proteção ambiental; ruídos naturais e coerentes culturais)
* restrições demográficas.
 
Após serem satisfeitas as melhores condições de campo e se definir o tipo de aquisição para determinado objetivo de levantamento dos dados sísmicos, um dos maiores limitantes à qualidade do tratamento de dados está relacionado aos tipos de ferramentas (algoritmos) disponíveis para o processamento, e que serão melhor, ou pior, aproveitadas em função de suas qualidades implícitas e da experiência do geofísico que as aplica.