quinta-feira, 11 de julho de 2013

Para driblar seca, Jordânia vai buscar água em aquífero de 300 mil anos



Governo anunciou que perfuração de poço teria início nesta quarta-feira.
Água abastecerá a capital, Amã; estudo sugere que poço está contaminado.


Imagem de setembro de 2012 mostra caminhão-pipa abastecendo região de Amã, capital da Jordânia (Foto: Khalil Mazraawi/AFP)Imagem de setembro de 2012 mostra caminhão-pipa abastecendo região de Amã, capital da Jordânia (Foto: Khalil Mazraawi/AFP)
A Jordânia, um dos 10 países mais áridos do mundo, anunciou que a partir da meia-noite desta quarta-feira (10) começaria a bombear água de um aquífero de 300.000 anos, localizado no sul do país, para atender às necessidades da capital, Amã, e outras cidades.
"Um bombeamento experimental de água de poços do aquífero de Disi vai começar à meia-noite desta quarta-feira", disse o ministro da Água e da Agricultura do país, Hazem Nasser, à agência de notícias oficiais Petra.
O projeto, de longa data, custará US$ 990 milhões e tem como objetivo extrair 100 milhões de metros cúbicos de água por ano do aquífero de Disi, situado a 325 km de Amã.
Segundo o ministério, a Jordânia, constituída de 92% de áreas desérticas, precisará de 1,6 bilhão de metros cúbicos de água por ano para atender às necessidades do país até 2015, num momento em que a população -- de 6,8 milhões de habitantes -- cresce 3,5% ao ano.
"O bombeamento vai ajudar a solucionar os problemas de água de Amã em uma semana, enquanto outras cidades registrarão uma melhora no abastecimento daqui a um mês", prometeu o ministério.
Água contaminada
Um estudo concluído em 2008 pela Universidade de Duke, nos Estados Unidos, mostrou que a água de Disi continha uma quantidade de elementos radioativos 20 vezes superior ao valor considerado seguro, em especial de rádio -- elemento cancerígeno.
Mas o governo jordaniano garante que não há motivos para preocupações. "O país ainda vai sofrer com a falta de água crônica, agravada pela chegada de refugiados sírios", explica o ministro. Segundo Amã e a ONU, o país acolhe cerca de 500.000 refugiados sírios que deixaram o país devido à violência.