Via Láctea

Aglomerado de Galáxias de Virgem e Distribuição de Galáxias em Grande Escala
Deslocamento Espectral para o Vermelho
Em 1912
Vesto Melvin Slipher (1875-1969)
descobriu que as linhas espectrais das estrelas na galáxia
de Andrômeda (M31)
mostravam um enorme deslocamento para o azul,
indicando que esta galáxia está se aproximando do Sol,
a uma velocidade de 300 km/s.
Slipher iniciou então um trabalho sistemático
que levou duas décadas, demonstrando
que das 41 galáxias que ele estudou, a maioria apresentava
deslocamento espectral para o vermelho, indicando que
as galáxias estavam se afastando de nós. Slipher descobriu
que quanto mais fraca a galáxia e, portanto mais distante,
maior era o deslocamento para o vermelho de seu espectro (redshifht).
O Universo em Grande Escala
Em 1923, Edwin Powell Hubble (1889-1953), usando o recém instalado telescópio de 2,5 m de diâmetro do Monte Wilson, na Califórnia, conseguiu identificar as estrelas individuais na galáxia de Andrômeda e, medindo sua distância (mais de 2 milhões de anos-luz), demonstrou conclusivamente que nossa galáxia, com 100 mil anos-luz de extensão, não é a única no Universo (1926, Extra-galactic nebulae. Astrophysical Journal, 64, 321)
Humason e HubbleEm 1929 Hubble ( A relation between distance and radial velocity among extra-galactic nebulae. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 15, 168), medindo o deslocamento para o vermelho nas linhas espectrais das galáxias observadas por Milton La Salle Humason (1891-1972), e medindo ele próprio suas distâncias, descobre que as galáxias estavam se afastando de nós com velocidades proporcionais à sua distância, isto é, quanto mais distante a galáxia, maior sua velocidade de afastamento. Hubble publicou seus resultados para 24 galáxias em 1929, no Proceedings of the National Academy of Science, e dois anos mais tarde, junto com Humason, estendeu seus resultados por um fator de 18 em distância. Georges-Henri Édouard Lemaître (1894-1966), em seu artigo de 1927, Un univers homogène de masse constante et de rayon croissant, rendant compte de la vitesse radiale des nébuleuses extra-galactiques. publicado no Annales de la Société scientifique de Bruxelles, Sèrie A, 47, 49 já tinha chegado à mesma conclusão.
A relação entre distância e velocidade constituiu a primeira evidência para a expansão do Universo, já predita pelo russo Alexander Friedmann (1888-1925) em dois artigos publicados no Zeitschrift für Physik em 1922 e 1924, e pelo belga Georges-Henri Édouard Lemaître (1894-1966) em 1927, no Annales de la Société Scientifique de Bruxelles.
Seja


A expansão não indica que estamos no centro do Universo. Em um bolo com passas em expansão, todas as passas se afastam umas das outras.
Modelo do bolo de passas:
Num tempo ti=0, as distâncias das passas em relação a uma passa de referência são:- passa A: di= 1 cm
- passa B: di= 3 cm
- passa C: di= 4 cm
- passa A: df= 2 cm
- passa B: df= 6 cm
- passa C: df= 8 cm
- passa A: v=1 cm/h
- passa B: v=3 cm/h
- passa C: v=4 cm/h
que é a "constante de afastamento" das passas. Qual o significado dessa constante? Podemos pensar o seguinte: Se a passa A, se movendo a uma velocidade de 1cm/h, está a uma distância de 2cm, há quanto tempo atrás ela estava a uma distância de 0 cm?
O tempo para se mover de 0 até a distância atual é dado por: t = d/v = 2cm/1cm/h = 2h
Certamente podemos fazer o mesmo cálculo para a passa B e para a passa C e chegaremos ao mesmo tempo. Note que fizemos esse cálculo assumindo que elas se moveram com velocidade constante (o que não é necessariamente verdade!)
O tempo para se mover de 0 até a distância atual é exatamente igual ao inverso da constante C:
t = 1/C = 1h/0,5
Note que em geral precisamos utilizar o
efeito Doppler
relativístico
para estimar a velocidade a partir do deslocamento das linhas
espectrais das galáxias,
O Paradoxo de Olbers: O enigma da escuridão da noite
Uma das constatações mais simples que podemos fazer é que o céu é escuro, à noite. É estranho que esse fato, sobre o qual ninguém em sã consciência colocará qualquer dúvida, e que à primeira vista parece tão compreensível para qualquer pessoa, tenha dado tanto o que pensar durante tanto tempo.Imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble mantendo a câmara aberta por 10 dias em uma região aparentemente sem estrelas do céu.
A questão foi retomada por Edmund Halley (1656-1742) no século XVIII e pelo médico e astrônomo Heinrich Wilhelm Mattäus Olbers (1758-1840) em 1826, quando passou a ser conhecida como paradoxo de Olbers. Olbers também descobriu os dois asteróides (planetas menores) Palas (1802) e Vesta (1807).
O problema é o seguinte: suponha que as estrelas estejam distribuídas de maneira uniforme em um espaço infinito. Para um observador em qualquer lugar, o volume de uma esfera com centro nele aumentará com o quadrado do raio dessa esfera (dV = 4
Uma analogia simples de fazer é com uma floresta de árvores. Se estou no meio da floresta, a meu redor vejo as árvores bem espaçadas entre si, mas quanto mais longe olho, mais diminui o espaçamento entre as árvores de forma que no limite da minha linha de visada as árvores estão todas juntas e nada posso ver além delas.


1. A poeira interestelar absorve a luz das estrelas.
Foi a solução proposta por Olbers, mas tem um problema. Com o passar do tempo, à medida que fosse absorvendo radiação, a poeira entraria em equilíbrio térmico com as estrelas, e passaria a brilhar tanto quanto elas. Não ajuda na solução.
2. A expansão do Universo degrada a energia, de forma que a luz de objetos muito distantes chega muito desviada para o vermelho e portanto muito fraca.
O desvio para o vermelho ajuda na solução, pois o desvio é proporcional ao raio do Universo, mas os cálculos
Essa é a solução atualmente aceita para o paradoxo. Como o Universo tem uma idade finita, e a luz tem uma velocidade finita, a luz das estrelas mais distantes ainda não teve tempo de chegar até nós. Portanto, o universo que enxergamos é limitado no espaço, por ser finito no tempo. A escuridão da noite é uma prova de que o Universo teve um início.
Usando-se a separação média entre as estrelas de 1 parsec, e o raio médio como o raio do Sol, de 700 000 km, obtém-se que o céu seria tão luminoso quanto a superfície do Sol se o Universo tivesse um raio de 2 ×1015 parsecs, equivalente a 6,6 ×1015 anos-luz. Como o Universo só tem 13,7 bilhões de anos, a idade finita do Universo é a principal explicação ao Paradoxo de Olbers.
Portanto o Paradoxo de Olbers e a expansão do Universo resultante da Lei de Hubble são consistentes, o Universo é finito no tempo.
Relatividade Geral
Em 1905 Albert Einstein
(1879-1955) havia proposto a teoria
da relatividade especial (Annalen der Physik, 323, 13, 639). Esta teoria propunha que a velocidade
da luz no vácuo é constante, independente da velocidade da fonte,
que a massa depende da velocidade, que há dilatação do
tempo durante movimento em alta velocidade,
que massa e energia são equivalentes e que nenhuma
informação ou matéria pode se mover mais rápido
do que a luz no vácuo.
A teoria é especial somente porque estava restrita
ao caso em
que os campos gravitacionais fossem pequenos, ou desprezíveis.
Embora a teoria de relatividade geral, proposta por Einstein
em 1916, só difira da teoria da gravitação
de Isaac Newton (1643-1726) em poucas
partes em um milhão na Terra, em grandes dimensões e grandes
massas, como o Universo, ela resulta bastante diferente.
A teoria da relatividade geral
(Albert Einstein, 1916, Die Grundlage
der allgenmeinen Relativitätstheorie,
Annalen der Physik, 354, 769)
é universal no sentido de ser
válida mesmo nos casos em que os campos gravitacionais não são
pequenos. Trata-se na verdade da teoria da gravidade,
descrevendo a gravitação como a ação das massas
nas propriedades do espaço e do tempo, que afetam o
movimento dos corpos e outras propriedades físicas.
Enquanto na teoria de Newton o espaço é rígido,
descrito pela geometria Euclidiana [Euclides de Alexandria (c.365-300 a.C.)],
na relatividade geral
o espaço-tempo é distorcido pela presença da matéria que
ele contém.
Um ano depois de propor a relatividade geral, em 1917, Einstein
publicou seu artigo
histórico sobre cosmologia
(Sitzungsberichte der Königlich Preußischen Akademie der Wissenschaften (Berlin), Seite 142)
Considerações Cosmológicas sobre a Teoria da Relatividade,
construindo um modelo esférico do Universo. Como as equações
da Relatividade Geral não levavam diretamente a um Universo
estático de raio finito,
mesma dificuldade encontrada com a teoria de Newton,
Einstein modificou suas equações,
introduzindo a famosa constante cosmológica, para obter
um Universo estático,
já que ele não tinha nenhuma razão
para supor que o Universo estivesse se expandindo ou contraindo.
A constante cosmológica age como uma força repulsiva que
previne o colapso do Universo pela atração gravitacional.
O holandês Willem de Sitter (1872-1934)
demonstrou em 1917 que a constante cosmológica
permite um Universo em expansão mesmo se ele não contivesse
qualquer matéria e, portanto, ela é também chamada de energia do
vácuo. As observações mostram que o Universo é
homogêneo em escalas de 10 a 100 milhões de anos luz e maiores.
Para escalas menores, podemos ver estrelas, galáxias e aglomerados
de galáxias, mas em larga escala os elementos de volume são
homogêneos.
A hipótese que o Universo seja homogêneo e isotrópico
é chamada de Princípio Cosmológico.
Lentes Gravitacionais

Douglas S. Robertson, William E. Carter & William H. Dillinger publicaram em 1991, na Nature, 349, 768, as medidas de posição de diversos objetos astronômicos a várias distâncias angulares do Sol usando interferometria VLBI (Very Long Baseline Interferometria, que utiliza rádio telescópios em diversos continentes simultaneamente, comprovando que as medidas concordam com a previsão da Relatividade Geral até 0,02%.
Imagem do Cruz de Einstein,
a lente gravitacional
G2237+0305, fotografada com a Faint Object Camera, da European
Space Agency, instalada no Telescópio Espacial Hubble, da NASA. A
luz de um quasar distante forma quatro imagens ao passar pelo
campo gravitacional de uma galáxia entre o quasar e a Terra. O
quasar está a aproximadamente 8 bilhões de anos-luz de nós,
enquanto que a galáxia está a 400 milhões de anos-luz.
O número de imagens produzidas depende da distribuição de
massa da galáxia, e dos detalhes do alinhamento.
Imagem da lente gravitacional obtida pelo Telescópio Espacial Hubble no grupo 0024+1654 Existem cerca de 120 lentes gravitacionais conhecidas, sendo que destas cerca de 18 são anéis, como a da galáxia SDSS J162746.44-005357.5, à direita. As lentes gravitacionais são importantes também porque nos ajudam a mapear a matéria escura do Universo, que só interage por gravidade.
Representação
do deslocamento do periélio de Mercúrio com o tempo.
O espaço-tempo
é perturbado pela presença da massa do Sol,
exatamente como predito pela Teoria da Relatividade Geral.
O periélio de Vênus também se desloca,
mas de 8,6" por século,
e o da Terra de 3,8" por século, ambos já medidos.

Pulsar na Nebulosa do Caranguejo, no raio X (NASA/CXC/ASU/) e no ótico (NASA/HST/ASU/J. Hester et al.)
Mas a observação mais crucial ainda é a da medida
da taxa de redução do período orbital do pulsar binário
PSR 1913+16 - duas estrelas de nêutrons -
descoberto por Russell Alan Hulse (1950-)
e
Joseph Hooton Taylor Jr. (1941-)
em 1974,
utilizando a antena de 305 m de diâmetro
do rádio-telescópio de Arecibo.
O período orbital
é de 7,75 horas, e o período
de rotação do pulsar de 59 milisegundos.
A taxa de redução do período orbital,
de (2,402531±0,000014×10-12 s/s=75,8±0,0004)
milionésimos de segundos por ano, concorda com precisão melhor do que
1%
com o cálculo de perda de energia devido à emissão de ondas
gravitacionais, previstas pela teoria de Einstein.
A teoria da relatividade geral prediz que
massas aceleradas emitem ondas gravitacionais,
da mesma maneira que cargas elétricas aceleradas produzem
ondas eletromagnéticas.
As ondas gravitacionais são perturbações
na curvatura do espaço-tempo e se propagam à velocidade da luz.
Uma onda gravitacional proveniente de uma fonte intensa, como um
pulsar binário próximo, altera as distâncias, mas por fatores
da ordem de 10-21.
Esta descoberta
lhes valeu o prêmio Nobel de física de 1993.
Big Bang
Apesar da descoberta da expansão do Universo, muitos pesquisadores acreditavam na Teoria do Estado Estacionário, isto é, que o Universo era similar em todas as direções e imutável no tempo, com produção contínua de matéria para contrabalançar a expansão observada, mantendo a densidade média constante. Esta teoria foi proposta por Herman Bondi (1919-2005), Thomas Gold (1920-2004) e Fred Hoyle (1915-2001). Em 1950 Fred Hoyle sugeriu pejorativamente o nome "Big Bang" para o evento de início do Universo, quando iniciou-se a expansão. Edward P. Tryon propôs em 1973 (Nature, 246, 396) que o Big Bang ocorreu por uma flutuação quântica do vácuo. Já qual será o destino do Universo tem duas possibilidades:- o Universo se expandirá para sempre, ou
- a expansão parará e haverá novo colapso ao estado denso.

Radiação do Fundo do Universo
Em 1964, a descoberta acidental da radiação de microondas do fundo
do universo, uma radiação que vinha de todas as direções,
pelos rádio-astrônomos
Arno Allan Penzias (1933-) e Robert Woodrow Wilson
(1936-), dos Bell Laboratories, com sua antena corneta de Holmdel,
com a qual descobriram o excesso de energia devido à radiação
cósmica do fundo do Universo,
utilizando o amplificador maser
de baixíssimo ruído recém desenvolvido no Bell Labs,
reforçou a teoria do Big Bang,
ou a Grande Expansão.
Penzias e Wilson, que receberam o prêmio Nobel em 1978,
publicaram seus resultados do excesso de emissão
observado no Astrophysical Journal em 1965, e no mesmo volume
Robert Henry Dicke (1916-1997),
Philip James Edward Peebles (1935-), Peter G. Roll,
e David T. Wilkinson (1935-2002),
que estavam construindo uma antena para procurar por esta emissão,
publicaram a interpretação do excesso como a detecção
da radiação remanescente do Big Bang.
A radiação do fundo do universo é o sinal eletromagnético
proveniente das regiões mais distantes do Universo (a 13,7 bilhões
de anos-luz) e
que havia sido predita desde 1948 por Ralph Asher Alpher (1921-2007)
e Robert Herman (1922-1997), associados
de George Gamow (1904-1968),
como a radiação remanescente do estado quente
que o Universo se encontrava quando se formou (na verdade quando ele
ficou transparente, 380 mil anos depois do Big Bang).
Ralph Alpher e Robert Herman publicaram a previsão da radiação do
fundo do Universo de 5 K, em 1948, na Nature, 162, 774.
Formas do Universo
A teoria do Big Bang leva em conta que se as galáxias estão se afastando umas das outras, como observado por Edwin Hubble em 1929, então no passado elas deveriam estar cada vez mais próximas, e num passado remoto, cerca de 13,7 bilhões de anos atrás, deveriam estar todas num mesmo ponto, muito quente, uma singularidade espaço-tempo, que se expandiu no Big Bang. O Big Bang, ou Grande Expansão, criou não somente a matéria e a radiação, mas também o próprio espaço e o tempo. Este é o início do Universo que podemos conhecer.
O padre e cosmólogo belga
Georges-Henri Édouard Lemaître (1894-1966)
foi provavelmente o primeiro a propor um modelo específico
para o Big Bang, em 1927. Ele imaginou que toda a matéria estivesse
concentrada no que ele chamou de átomo primordial e que
este átomo se partiu em incontáveis pedaços, cada
um se fragmentando cada vez mais, até formar os átomos
presentes no Universo, numa enorme fissão nuclear. Sabemos
que este modelo não pode ser correto, pois não obedece
às leis da relatividade e estrutura da matéria (quântica),
mas ele inspirou os modelos modernos.
Independentemente de Lemaître, o matemático e meteorologista
russo Alexander Friedmann (1888-1925) descobriu
toda uma família
de soluções das equações da teoria da relatividade geral.
Embora nossos gráficos do Universo sejam bi-dimensionais, o Universo é tri-dimensional. O problema é que não temos como representar um universo curvo em três dimensões e portanto reduzimos uma dimensão somente para poder desenhar.
Se a constante cosmológica for nula (energia do vácuo nula),
os modelos se dividem em
três classes. Se a densidade de matéria for alta suficiente
para reverter a expansão, o Universo é fechado,
como a superfície de uma esfera mas em três dimensões, de modo
que se uma nave viajasse por um tempo extremamente longo em linha reta,
voltaria ao mesmo ponto.

Qual destes modelos representa o Universo real continua um dos cernes da cosmologia moderna, mas as observações recentes indicam que o Universo é plano (Euclidiano nas três dimensões espaciais).
Herman,
Gamow e AlpherMatéria Escura
Fritz Zwicky
Universo Inflacionário
A matéria escura
têm implicações importantes nos modelos
de Big Bang,
como o do Universo Inflacionário.
Este modelo de Universo,
proposto em 1979 por Alan Harvey Guth (1947-), do Massachussets Institute
of Technology (MIT), nos Estados Unidos [Physical Review D 23, 347 (1981)],
e Alexei Starobinski [Pisma Zhurnal Eksperimentalnoi i Teoreticheskoi Fiziki 30, 719 (1979)],
na Rússia,
e modificado em 1981
pelo russo
Andrei Dmitrvitch Linde (1948-),
e pelo americano
Paul J. Steinhardt (1952-),
[Alan Guth, Inflationary Universe: A Possible Solution to the Horizon
and Flatness Problems, Phys. Rev. D 23, 347 (1981); A. Linde, A New
Inflationary Universe Scenario: A Possible Solution of the Horizon,
Flatness, Homogeneity, Isotropy, and Primordial Monopole Problems, Phys.
Lett. B 108, 389 (1982); A. Albrecht and P. J. Steinhardt, Cosmology
for Grand Unified Theories with Radiatively Induced 4 Symmetry Breaking,
Phys. Rev. Lett. 48, 1220 (1982)]
vem de uma das formas das Teorias
da Grande Unificação (GUT) das forças forte
e eletrofraca que prevê uma quebra
de simetria espontânea
Peter Ware Higgs


A distribuição de matéria no cúmulo de galáxias 1E 0657-56, que está a 3,4 milhões de anos-luz de distância, numa imagem composta com medidas no raio-X (em vermelho: NASA/CXC/CfA/ Maxim Markevitch et al. 2005), e no ótico (NASA/STScI; ESO WFI; Magellan/U.Arizona/ Douglas Clowe et al. 2006). A massa de gás quente detectado no raio-X é muito maior do que a massa no ótico, mas muito menor do que a da matéria escura. Em azul está indicada a distribuição da matéria escura, necessária para explicar as lentes gravitacionais observadas.
COBE
Em 18 de novembro de 1989, a NASA lançou um satélite chamado
Cosmic Background
Explorer (COBE), para analisar detalhadamente
a radiação do fundo do universo
(Cosmic Microwave Background - CMB)
operando na faixa de microondas.
Como planetas, estrelas, galáxias e nuvens de gás emitem
muito pouco microondas, o satélite podia enxergar
diretamente a luz que o Universo emitiu quando passou
de opaco para transparente, na chamada época da
recombinação, cerca de 380 mil anos depois do Big Bang.

Os dados obtidos pelo COBE, mostrados
na figura abaixo,
e divulgados por John Cromwell Mather (1946-) -
cientista coordenador do projeto COBE,
fitam perfeitamente um corpo negro com temperatura
de 2,735 K, com
uma incerteza menor que 1%,
valor da radiação predita para o gas
quente de quando o Universo se formou, visto com um avermelhamento
correspondente; a expansão do Universo estica o comprimento
de onda pelo mesmo fator que o Universo se expande entre
a emissão e a observação.
Se o Big Bang tivesse sido caótico, por exemplo, o
espectro observado não seria perfeitamente o de
um corpo negro, mas seria distorcido para o azul,
pelo decaimento das estruturas caóticas.
Cada metro cúbico do Universo contém, em média,
400 milhões de fótons e somente 0,1 átomos.

Resultados do experimento FIRAS do satélite COBE, mostrando que a radiação do fundo do Universo segue mesmo a lei da radiação de Planck.
A radiação do fundo do Universo
mostra suas condições
380 mil anos após o Big Bang, quando o Universo era dominado por
radiação. Nesta época
a temperatura do Universo caiu para cerca de 3000 K, suficiente
para que os prótons e as partículas-α (He),
formadas nos
três a quatro primeiros minutos do Universo, começassem a capturar
elétrons e formar átomos de hidrogênio e hélio neutros.
Os cosmólogos chamam esta fase de recombinação,
ou fase de desacoplamento, passando de um Universo
dominado por
radiação, onde a temperatura da matéria era a mesma temperatura
da radiação, para um dominado por matéria.
Em outro experimento do satélite COBE, divulgado em abril de 1992 por George Fitzgerald Smoot III (1945-), da Universidade da Califórnia em Berkeley, também foram detectadas pequeníssimas variações da temperatura nesta radiação (seis partes por milhão). A resolução angular do COBE era de 7°. A uniformidade das medidas só é compatível com a existência do Big Bang, pois de outra forma regiões distintas do Universo não poderiam estar com a mesma temperatura. John Cromwell Mather (1946-) e George Fitzgerald Smoot III (1945-) ganharam o prêmio Nobel de física de 2006 pelas descobertas com o COBE.
No modelo padrão, as estruturas do Universo são formadas a partir da amplificação gravitacional de pequenas perturbações na distribuição de massa inicial. Seria praticamente impossível haver a formação de estruturas observadas, como galáxias, estrelas, planetas e, portanto, da Terra e de nós mesmos, sem que houvessem variações de temperatura na radiação do fundo do Universo. Isto porque a radiação e a matéria estiveram em equilíbrio térmico no Universo primordial e, então, qualquer irregularidade ocorrida na distribuição inicial de matéria seria refletida na distribuição angular desta radiação. A detecção destas flutuações até então era o principal ponto faltante na compreensão da teoria do Big Bang e da formação e evolução do Universo. As flutuações de densidade observadas pelo COBE poderiam ser oriundas de cordas cósmicas geradas nas transições de fase, ou poderiam ser simples flutuações normais de uma distribuição aleatória de densidade. Com o esfriamento do Universo, eventualmente a matéria se condensa em galáxias, estrelas se formam [as primeiras estrelas se formam, nos modelos de matéria fria escura, quando o deslocamento para o vermelho (redshift) z = 10 a 20 e a temperatura da radiação de fundo da ordem de 50K], evoluem e morrem, e elementos mais pesados, como carbono, oxigênio, silício e ferro foram gradualmente sendo sintetizados nas estrelas, e espalhados ao meio em explosões de supernovas. Este gás é depois concentrado em outras estrelas, em planetas, e possivelmente em corpos de seres humanos, em alguns destes planetas!
A Via Láctea em coordenadas galáticas. Clicando aparece a imagem do gás molecular obtida em CO pelo Satélite Planck, da ESA.
Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP)

Mapa do céu obtido pelo satélite Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP) da NASA, lançado em 2001, com resolução angular de 0,21° em 93 GHz, divulgado por Charles L. Bennett (1956-) e colaboradores em janeiro de 2010, após sete anos de observações. As regiões vermelhas são mais quentes (200 μK) do que a média e as azuis mais frias (-200μK).
Os resultado após
nove anos de dados,
analisados por
Charles L. Bennett09,
Gary
F. Hinshaw,
David Nathaniel Spergel
(1961-)
e colaboradores,
indicam
que a idade do Universo é de (13,75±0,08) bilhões de anos
(o primeiro
pico no espectro de distribuição angular
em 263,85°±0,1°, é proporcional à distância à superfície de desacoplamento),
que a matéria normal corresponde a 4,72±0,010% da energia total
(a amplitude do pico acústico é proporcional à
densidade bariônica),
24,08±0,09% de
matéria escura e 71,2±0,10% de energia escura (constante cosmológica)
ou quintessencia (energia com pressão negativa), completando a massa
crítica prevista pelo modelo inflacionário
(Ω=ρobs/ρcrít=1,022±0,043).
As observações indicam ainda que as primeiras estrelas se formaram
481±67 milhões de anos
(dada pela detecção de reionização em z=10,5±1,1) depois do Big Bang
o que indica que os neutrinos
não dominam a evolução da estrutura, ou eles teriam dificultado
a aglomeração do gás, retardando o nascimento das primeiras estrelas.
A reionização pode ser detectada pela polarização causada
pelo espalhamento dos fótons da
radiação de fundo pelos elétrons livres ionizados pela formação estelar.
O espectro de potências observado depende
de todos os parâmetros simultaneamente.

Comparação das medidas de flutuação na temperatura da radiação do fundo do Universo com as previsões do modelo inflacionário, através da decomposição em esféricos harmônicos das flutuações observadas. Os observadores mediram a diferença de temperatura entre duas regiões do céu, separadas por um certo ângulo, e calcularam o quadrado desta diferença: (T1-T2)2, medida em microkelvins2 [(10-6K)2]. Calculando-se a média desta quantidade para diferentes pares de direções, obtém-se uma medida estatisticamente significativa. Se o Universo é aberto, as flutuações devem ser máximas em escalas de 0,5°. As escalas ainda menores foram estudadas pelo Cosmic Background Imager (CBI), em escalas angulares de 5 minutos de arco a um grau (indices de harmônicos esféricos de
A separação angular é dada por
Resumindo, os dados do WMAP indicam que o Universo contém:
| Tipo | Porcentagem da densidade crítica |
|---|---|
| Energia escura | 72,2% |
| Matéria escura | 23,2% |
| Matéria normal | 4,6% |
| Radiação | 0,005% |
| Tipo | Porcentagem da densidade crítica |
|---|---|
| Energia escura | 69,2%±1,0% |
| Matéria escura e normal | 31,5%±1,7% |
| z(reionização)=11,3±1,1 | |
| z(equilíbrio mat´ria-radiação)=3391±60 |
A idade do Universo
Qual é a idade do Universo? A matéria total do Universo gera atração gravitacional, em que objetos atraem outros objetos (inclusive a luz, pela relatividade geral). Se a constante cosmológica (Λ) fosse nula, ou seja, se a energia do vácuo (repulsão) fosse nula, a atração gravitacional deveria diminuir a expansão, o que implicaria que no passado a expansão teria sido mais rápida. Neste caso, a idade do Universo pode ser calculada, no limite superior, assumindo que a quantidade de matéria é pequena e que, portanto, não teria reduzido a velocidade de expansão significativamente.Podemos então estimar a idade máxima do Universo to, calculando o tempo que as galáxias distantes, movendo-se à mesma velocidade de hoje, levaram para chegar aonde estão, isto é, assumindo energia escura nula.
Como a lei de Hubble, que relaciona a velocidade de expansão da galáxia, v, com a distância a esta, d, é dada por
Levando-se em conta a possível desaceleração causada pela atração gravitacional, a idade seria t

Qual é a evolução química do Universo?
O Universo se esfria enquanto se expande.
Note que para um tempo menor que
Como a seção de choque dos neutrinos é extremamente pequena, quando o Universo tinha 1 s,
A teoria do Big Bang prevê que houve um pequeno excesso de matéria sobre anti-matéria (1 parte em 100 milhões), ou toda a massa seria aniquilada. Quando o Universo tinha t = 10-39 s, sua temperatura era da ordem de T = 1029 K. A esta temperatura, a energia média por partícula é da ordem de 1016 GeV (1 GeV = 1 bilhão de elétron volts), a energia em que as teorias de Grande Unificação prevêem efeitos importantes, como a violação da conservação de número bariônico e a possibilidade da formação de partículas super-massivas, o bóson de de Higgs, predito por Peter Ware Higgs (1929-) em 1964. Estas partículas são instáveis mas de longa vida e podem teoricamente dar origem a este pequeno excesso de matéria sobre a antimatéria.
Em 1964, James H. Christenson, James Watson Cronin (1931-), Val Logsdon Fitch (1923-) e René Turlay (1932-2002) conseguiram observar que no decaimento da partícula neutra kaon, ou méson K, existe uma pequena (0,2%) diferença a favor da matéria, em relação à antimatéria produzida (1964, Physics Review Letter 13, 138). Cronin e Fitch receberam o prêmio Nobel em 1980 pela descoberta, demonstrando experimentalmente que existe assimetria matéria-antimatéria no Universo. Sem esta assimetria, chamada de CP (carga-paridade), o Universo dominado por matéria não existiria, já que a matéria e a antimatéria teriam se aniquilado.
Como
não existem então mais elétrons livres para espalhar
os fótons, o Universo passa de opaco para transparente
e, a partir de então, a matéria e a radiação evoluem
independentemente. Esta radiação de 3 000 K, expandindo-se com
o Universo,
é o que detectamos como radiação do
fundo do universo.
Somente milhões de anos
depois as galáxias começam
a se formar.

A figura abaixo mostra como a abundâncias dos elementos formados depende da densidade de prótons e nêutrons, no modelo padrão de Big Bang, em termos da densidade crítica (densidade necessária para parar a expansão do Universo). Se o número de prótons e nêutrons for alto, mais frequentemente eles colidem e mais Hélio4 é produzido. As abundâncias de deutério e Hélio3 decrescem quando aumenta a densidade porque estes núcleons são formados por uma sequência de reações incompleta. Dado tempo suficiente, o deutério e o Hélio3 se transformam em Hélio4. Já o Lítio7 é produzido por várias reações e, portanto, depende da densidade de forma mais complexa. A nucleosíntese no Big Bang só formou os elementos leves: hidrogênio, deutério, hélio e lítio. Todos os elementos químicos mais pesados foram produzidos mais tarde, no interior das estrelas.
Modelo do Big Bang
| Idade cósmica | Temperatura | Eventos marcantes |
|---|---|---|
| < 10-44 segundos | > 1032 K | Big Bang. |
| Unificação das 4 forças. | ||
| Era de Planck. | ||
| 10-44 segundos | 1032 K | Gravidade se separa das outras forças. |
| Era das GUT's (teorias da grande unificação | ||
| das forças nucleares forte e fraca e da força eletromagnética). | ||
| 10-35 segundos | 1028 K | Força nuclear forte se separa da força |
| eletro-fraca. | ||
| 10-32 segundos | 1027 K | Fim da era da Inflação. Universo se expande rapidamente. |
| 10-10 segundos | 1015 K | Era da radiação. Forças eletromagnéticas e fracas se separam. |
| 10-7 segundos | 1014 K | Era das partículas pesadas (era hadrônica). |
| Fótons colidem para construirem | ||
| prótons, antiprótons, quarks, e antiquarks. | ||
| 10-1 segundos | 1012 K | Era das partículas leves (era leptônica). |
| Fótons retém energia suficiente apenas para construirem | ||
| partículas leves como elétrons e pósitrons. | ||
| 3 minutos | 1010 K | Era da nucleossíntese. |
| Prótons e elétrons interagem para formar nêutrons. | ||
| Prótons e nêutrons formam núcleos de deutério, hélio, | ||
| e pequena quantidade de lítio e berílio. | ||
| 380 000 anos | 3000 K | Era da recombinação. Universo fica transparente. |
| Radiação pode fluir livremente pelo espaço. | ||
| 481 000 000 anos | 100 K | Era da reionização, com a formação das primeiras estrelas. |
| 1×109 anos | 20 K | Formação de protoaglomerados de galáxias e de galáxias. |
| 10×109 anos | 3 K | Era presente. |
| Formação do sistema solar. | ||
| Desenvolvimento da vida. |
A primeira evidência da expansão acelerada do Universo vem da detecção que as supernovas tipo Ia, vindas da explosão de anãs brancas por acréscimo de massa em sistemas binários, parecem mais fracas quanto maior sua distância.
Se a energia total do Universo for nula, isto é, Universo plano na forma mais simples, então pelo princípio da incerteza de Heisenberg
O deslocamento para o vermelho z é medido pelo deslocamento Doppler das linhas espectrais:
|

Medida do COBE das flutuações de temperatura da radiação do fundo do Universo, em 1,25 microns, antes da correção pelo movimento do Sol (equivalente a variações de e pela emissão da Via Láctea (equivalente a variações de 0,0002 K). O feixe do detector tinha 7°, correspondendo a escalas muito maiores do que os grandes aglomerados de galáxias. Se o Universo é aberto, as flutuações devem ser máximas em escalas de 0,5°. Se o Universo é plano, as flutuações devem ser máximas em escalas de 1,0°. Se o Universo é fechado, as flutuações devem ser máximas em escalas maiores que 1°.
Se a matéria escura e energia escura podem ser unificadas num só modelo, ela teria duas fases: uma, aglomerada em halos, com pressão nula, contribuiria positivamente para o crescimento das estruturas observadas; outra, homogeneamente distribuída, com pressão negativa, contribuiria somente para a aceleração do universo e não teria efeitos dinâmicos sobre as estruturas em pequena escala. Ela é conhecida como quartessência, como no modelo do Gás de Chaplygin (A. Kamenshchik, U. Moschella e V. Pasquier. 2001, Phys. Lett. B 511, 265 e M.C. Bento, O. Bertolami e A.A. Sen. 2002, Phys. Rev. D66, 043507).
Viagem no Tempo
Na teoria da relatividade geral de Einstein, o tempo se acelera e desacerela quando passa por corpos massivos, como estrelas e galáxias. Um segundo na Terra não é um segundo em Marte. Relógios espalhados pelo Universo se movem com velocidades diferentes. Em 1935, Einstein e Nathan Rosen (1909-1995) deduziram que as soluções das equações da relatividade geral permitiam a existência de pontes, originalmente chamadas de pontes de Einstein-Rosen, mas agora chamadas de redemoinhos ou buracos de minhoca (wormholes). Estas pontes unem regiões do espaço-tempo distantes. Viajando pela ponte, pode-se mover mais rápido do que a luz viajando pelo espaço-tempo normal.
Em 1963, o matemático Roy Patrick Kerr (1934-), da Nova Zelândia, encontrou uma solução das equações de Einstein para um buraco negro em rotação. Nesta solução, o buraco negro não colapsa para um ponto, ou singularidade, como previsto pelas equações para um buraco negro não rotante, mas sim em um anel de nêutrons em rotação. Neste anel, a força centrífuga previne o colapso gravitacional. Este anel é um redemoinho (wormhole) que conecta não somente regiões do espaço, mas também regiões do tempo, e poderia ser usado como máquina do tempo. A maior dificuldade é a energia: uma máquina do tempo necessita de uma quantidade fabulosa de energia. Seria preciso usar-se a energia nuclear de uma estrela, ou antimatéria. O segundo problema é de estabilidade. Um buraco negro em rotação pode ser instável, se acreta massa. Efeitos quânticos também podem acumular-se e destruir o redemoinho. Na verdade a teoria prevê que os redemoinhos (buracos de minhoca) sobrevivem somente uma fração de tempo tão curta que nem a luz consegue atravessá-lo. O outro grande problema de usar um buraco negro como ponte é que a força de maré de um buraco negro estelar é tão grande que despedaçaria qualquer corpo que se aproximasse do seu horizonte. Portanto, embora teoricamente possível, uma viagem no tempo não é praticável.
Quarks
Em 1964 o americano Murray Gell-Mann (1929-), do CALTECH, e George Zweig (1937-) independentemente sugeriram que a complexidade da interação forte poderia ser explicada assumindo-se que os mais de cem bárions e mésons conhecidos, inclusive os prótons e nêutrons, eram compostos de três partículas fundamentais, chamadas de quarks por Gell-Mann. O nome foi proposto a partir da frase do escritor irlandês James Joyce (1882-1941), na página 383 do romance Finnegans Wake, Three quarks for Muster Mark. Na proposta, um quark tinha carga elétrica 2/3 da carga do próton, e os outros dois -1/3. Entre 1967 e 1973, usando o Acelerador Linear de Stanford, Jerome Isaac Friedman (1930-), Henri W. Kendall (1926-), e Richard E. Taylor (1929-) notaram que o espalhamento de elétrons por prótons e nêutrons indicava que estes eram compostos por partículas menores, com cargas consistentes com a teoria dos quarks. Os três receberam o prêmio Nobel de física em 1990 pela descoberta.Embora a teoria original propusesse somente três quarks, os quarks, que compõem os hádrons, são em número total de 6: up, down, charm, strange, top e bottom. O próton é formado por 2 quarks up e 1 quark down, enquanto o nêutron é formado por 2 quarks down e 1 quark up. Os quarks interagem pela troca de glúons, dentro da teoria da interação forte chamada de Cromodinâmica Quântica (QCD). A QCD é uma teoria de gauge: uma teoria com simetria de gauge pode ser escrita em termos de potenciais em que somente diferenças de potenciais são significativas, isto é, podemos adicionar uma constante sem alterar os valores. A QCD tem a propriedade da liberdade assintótica, isto é, a interação entre as partículas diminui com o aumento de energia. Como o próton tem baixa energia, os quarks dentro do próton estão fortemente ligados uns aos outros, e os físicos teóricos estão convencidos que a teoria levará ao confinamento, que diz que os quarks não podem existir independentemente, pois estão confinados pela interação forte. O quark charm, predito por James D. Björken e Sheldon Lee Glashow (1932-) em 1964, foi descoberto em 1974 independentemente por Samuel Chao Chung Ting (1936-) e Burton Richer (1931-), com a descoberta da partícula J/
A teoria de gauge prevê que, para que não hajam infinidades, os hádrons devem ter pares com os léptons. Os léptons são o elétron, o múon e o táon. O elétron foi descoberto pelo inglês Sir Joseph John Thomson (1856-1940) em 1895 e sua anti-partícula, o pósitron, por Carl David Anderson (1905-1991) em 1932, quando ele analisava os raios cósmicos e descobriu em uma das placas fotográficas uma partícula parecida com um elétron, mas se movendo na direção oposta em relação ao campo magnético e, portanto, com carga positiva. O múon foi descoberto em 1937, por Seth Henry Neddermeyer (1907-1988), Carl David Anderson (1905-1991), do CALTECH, Jabez Curry Street (1906-1989) e Edward C. Stevenson, de Harvard, e é 207 vezes mais massivo que o elétron; O táon foi descoberto em 1975 por Martin Lewis Perl (1927-), com 1,784 GeV, ou seja 3500 vezes mais massivo que o elétron. Os outros três léptons são os neutrinos correspondentes,
O decaimento da partícula Z0, bem como a abundância cósmica do hélio, e a meia vida do nêutron, demonstra que não pode haver outro tipo de neutrino além dos três observados, e portanto não deve haver outro tipo de quark, pela paridade dos léptons e hádrons.
O telescópio Schmidt usado por Fritz Zwick em 1930 para de determinar a massa dos aglomerados de galáxias foi o segundo projetado pelo ótico e astrônomo amador Bernhardt Voldemar Schmidt (1879-1935), para observar grandes campos do céu.
A teoria eletrofraca se separa em eletromagnética e fraca para energias mais baixas que 100 GeV, o que ocorre 10-12 segundos depois do Big Bang, mas já foi testado em laboratórios na Terra. As maiores energias atingíveis nos grandes aceleradores atuais são da ordem de 10 000 GeV. A força fraca age a distâncias subnucleares, menores que 10-15 cm.
A repulsão elétrica entre dois prótons é 1036 vezes maior do que a atração gravitacional entre eles.
Da mesma maneira que cargas elétricas cancelam campos elétricos, monopolos magnéticos cancelariam campos magnéticos. A existência de um campo magnético na nossa Galáxia requer que o número de monopolos, se existirem, seja pequeno.
O matemático inglês Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898) escreveu o livro Alice no País das Maravilhas em 1865, com o nome artístico de Lewis Carroll, chamando de "toca de coelho" a passagem para o outro Universo.
Aristóteles de Estagira (384-322 a.C.) propôs que a matéria na Terra era composta por quatro elementos básicos: terra, ar, fogo e água. Propôs também que a matéria celeste era composta por um tipo de matéria especial, a quinta-essência, ou quintessência. Nos últimos anos se tem usado o termo quintessência para descrever a matéria (energia) dominante no Universo, seja ela matéria escura ou energia do vácuo (constante cosmológica).
Chen Ning Yang (1922-) e Tsung-Dao Lee (1926-) receberam o prêmio Nobel em 1957 por suas investigações da paridade.
Teoria do Estado Estacionário
Fred Hoyle (1915-2001), Geoffrey Burbidge (1925-2010) e Jayant Vishnu Narlikar (1938-) propuseram em 1993 a Teoria do Estado Quasi Estacionário, em um Universo eterno e infinito, alternando expansões que duram cerca de 40 bilhões de anos, com contrações. A massa é eternamente criada em buracos brancos com massa de Planck [ch/G]1/2 = 1019 bárions. A mini-criação causa uma expansão do Universo, que reduz o valor médio do campo de criação, reservatório de energia negativa. Após a expansão, o valor do campo se reduz, tornando-se difícil uma nova mini-criação. A gravidade então supera a expansão e o Universo se contrai, aumentando o campo até que nova criação ocorra.Microlentes gravitacionais
Para estimar a massa bariônica em matéria não luminosa, usam-se as microlentes gravitacionais, já que os remanescentes velhos de estrelas emitem pouca radiação, a não ser que estejam acretando material de uma estrela companheira. A gravidade de uma estrela compacta, como uma anã branca, uma estrela de nêutrons ou um buraco negro, de massa M pode aumentar o brilho de uma estrela que esteja atrás dela, agindo como uma lente, durante
O Efeito Sunyaev-Zel'dovich é a distorção causada na radiação de microondas do fundo do Universo pelo efeito Compton inverso, em que elétrons de alta energia transferem parte de sua energia para os fótons de baixa energia da radiação de fundo [Rashid Sunyaev (1943-)e Yakov Borisovich Zel'dovich (1914-1987)].
Calculadora Cosmológica
Mais detalhes:
- Martin Rees, Before the Beginning, Our Universe and Others, Simon & Schuster, London 1997.
- Marcelo Gleiser, A Dança do Universo, Dos Mitos da Criação ao Big Bang, Companhia das Letras, São Paulo 1999.
- Jim Al-Khalili, Black Holes Wormholes & Time Machines, Institute of Physics Publishing, London 1999.
- Alan H. Guth, The Inflationary Universe, Perseus, Reading 1997.
- Leon Lederman, The God Particle, Houghton Mifflin, Boston 1993.
- Joseph Silk, The Big Bang, Freeman, NY 1989.
- Jayant Vishnu Narlikar (1938-), The lighter side of gravity, 2nd ed, Cambridge 1996. Dark Energy no Hubble Space Telescope Science Institute




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