segunda-feira, 29 de julho de 2013

Terremoto pode ter liberado gás que contribui para aquecimento global

Tremor de magnitude 8,1, de 1945, liberou grande quantidade de metano.
Descoberta revela nova fonte natural de emissão de gases do efeito estufa.


Bolhas de hidrato de metano deixam o fundo do mar. A profundidade da água é 2.861 metros.  (Foto: MARUM-Center for Marine Environmental Sciences, University of Bremen/Divulgação)Bolhas de hidrato de metano deixam o fundo do mar. A profundidade da água é 2.861 metros. (Foto: MARUM-Center for Marine Environmental Sciences, University of Bremen/Divulgação)

Os terremotos podem estar contribuindo para o aquecimento do planeta através da liberação de gases do efeito estufa provenientes do subsolo dos oceanos, diz um estudo publicado neste domingo (28) na revista "Nature Geoscience".
Os autores desse estudo, da universidade de Brêmen na Alemanha, comprovaram que um grande terremoto ocorrido em 1945 liberou mais de 7 milhões de metros cúbicos de metano no mar de Arábia.
Essa descoberta revela uma fonte natural de emissão de gases do efeito estufa que até o momento não era considerada, disse a revista britânica.
O efeito do metano no meio ambiente é 20 vezes mais potente que o do dióxido de carbono, apesar de o primeiro gás ser menos abundante na atmosfera. Segundo os cientistas, há enormes quantidades de metano armazenadas em estruturas chamadas de hidratos congelados no subsolo das plataformas continentais que circundam as massas de terra do planeta.
Calcula-se que os hidratos de metano contêm entre mil e 5 mil gigatoneladas de carbono, mais que a quantidade total emitida todos os anos pela combustão de combustíveis fósseis.
Testes em sedimentos
Testes realizados com sedimentos recolhidos da parte norte do mar arábico em 2007 revelaram indícios químicos de emissões de metano em grande escala, afirmaram os especialistas. Uma análise dos registros históricos permitiu confirmar que em 1945 aconteceu nessa região um terremoto de magnitude de 8,1 pontos.
"De acordo com vários indicadores, acreditamos que o terremoto levou a um rompimento dos sedimentos, o que permitiu a liberação do gás que estava retido sob a plataforma", disse o diretor do estudo, David Fischer. Ele afirmou que 'provavelmente existem mais regiões na área que foram afetadas pelo terremoto', o que poderia permitir um aprofundamento da pesquisa.
Os hidratos de metano são vistos como uma fonte de energia promissora, mas sua extração é cara e arriscada. Além disso, segundo os especialistas, eles ajudam a estabilizar o solo do oceano, por isso existe a possibilidade que terremotos e tsunamis possam ser gerados, caso aconteçam intervenções e alterações na estrutura desses hidratos.