terça-feira, 23 de julho de 2013

Minas de Mavoio rico em cobre


Os trabalhos de prospecção nas minas de Mavoio, no município de Maquela do Zombo, no Uíge, revelam a existência de cerca de 16 milhões de toneladas de cobre puro.

Para confirmar estes resultados, o ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, visitou o perímetro mineiro de Tetelo, onde já foram realizados, desde 2009, trabalhos de topografia, cartografia geológica, estudos mineralógicos e geofísicos, investigações petrográficas, ensaios metalúrgicos e perfurações de sondagem num perímetro de 9.478 metros.

As primeiras pesquisas, realizadas entre 1937 e 1961, confirmaram a existência de cobre no local, mas apenas uma área não superior a cinco por cento do perímetro mineralizado já prospectado foi explorado. Por isso, o responsável pela actual operação de prospecção, João Albenás, explicou que na altura foram descobertos mais de seis milhões de toneladas de cobre.

“Apesar desses resultados conseguidos nas primeiras pesquisas realizadas entre 1937 e 1961, apenas 192.200 mil toneladas correspondiam a cobre de metálico puro”, disse o geólogo.

Os cálculos feitos actualmente revelam que, nos próximos três anos, os recursos minerais da mina de Mavoio podem atingir os 35 milhões de toneladas e uma estimativa de produção de 875 mil toneladas de cobre puro num prazo mínimo de dez anos.

“Com os trabalhos de prospecção já realizados, o valor dos recursos mais que duplicou. Acreditamos que com a continuação dos trabalhos de prospecção e pesquisas, como nova cartografia e sondagens, os recursos vão poder aumentar”, referiu, acrescentando que se planeia o alargamento da pesquisa às zonas do Bembe, Lueca, Quimbumba e Quinzo, situadas na área de concessão, as quais apresentam um enorme potencial mineralógico.

Para constatar as actividades até agora efectuadas, avaliar o grau de execução dos trabalhos e as perspectivas sobre a data do início da exploração, esteve no local uma comitiva governamental chefiada pelo ministro da Geologia e Minas, Francisco Queiroz, acompanhado pelo governador do Uíge, Paulo Pombolo, que receberam esclarecimentos sobre o trabalho desenvolvido e visitaram algumas zonas onde já foram efectuadas sondagens e recolhidas amostras.

Da visita efectuada, Francisco Queiroz ficou com a ideia de que aquela região mineira vai, nos próximos anos, dar um enorme contributo à economia local e nacional. Além disso, o ministro da Geologia e Minas manifestou a sua preocupação com a morosidade registada na fase de prospecção que, de acordo com A actual Lei Mineira, determina o limite mínimo até cinco anos e máximo até sete para realização deste tipo de trabalho. Nesta altura, os trabalhos de prospecção realizados pelas Genius Mineral e Angola Petroleum Service (AP-Service) já decorrem há quatro anos.

“É necessário que se imprima mais celeridade nas actividades de prospecção para o projecto não entrar em conflito com a Lei. Os cálculos são animadores e perspectiva-se uma boa produção de cobre, assim como a criação de vários postos de trabalhos para a população local”, disse Francisco Queiroz.

O ministro da Geologia e Minas receia a destruição precoce das estradas entre Maquela do Zombo e Uíge e Uíge e Luanda, devido à composição asfáltica colocado nestas duas infra-estruturas rodoviárias, tendo em conta que a única forma de transportar o cobre até aos locais de transformação é por estrada. Atendendo ao peso do mesmo, o tapete asfáltico pode deteriorar-se em pouco tempo.

“Vamos trabalhar com o Governo Provincial e o Ministério da Construção no sentido de melhorarmos o estado das vias. Vão ser produzidas muitas toneladas de cobre por mês que vão ser transportadas por camiões e estas estradas, nas actuais condições, podem não suportar o peso”, referiu.

Francisco Queiroz revelou a existência de um projecto de construção de uma linha ferroviária para ligar as minas de Mavoio ao porto do município do Soyo, na província do Zaire, no sentido de facilitar o transporte por via marítima do minério para os locais de transformação em Angola e no estrangeiro.

“O projecto existe. Mas não para ser posto em prática imediatamente, tendo em conta que a mina pode arrancar sem esta infra-estrutura. Quando, futuramente, se alargar e se explorar todo o potencial, então vamos estar em condições de iniciar a construção da linha férrea”, explicou.


Investimento


Cerca de 1,6 mil milhões de kwanzas já foram, até ao momento, investidos na aquisição e instalação das máquinas, trabalhos de prospecção e pagamento de salários. “Até à conclusão dos trabalhos de prospecção vão ser investidos cerca de quatro mil milhões de kwanzas”, disse João Albenás. Já na fase de desenvolvimento do projecto, que contempla a exploração mineira, tratamento e transporte do produto final, aquisição e aplicação de máquinas e outros equipamentos para aquele período, está previsto um investimento global de seis mil milhões de kwanzas.

Os testes laboratoriais das amostras enviadas para a África do Sul comprovam a existência de cobre, ferro, calcite, pirite, enxofre, Xisto, calcopirite, enargite/tennantite, esfalerite, galena, bornite, óxidos e hidróxidos de ferro.

“Continuamos a prospectar e prevemos alargar esta actividade aos dez mil quilómetros que constituem a região mineira”, esclareceu.

João Albenás avançou que, além do alargamento da pesquisa às zonas do Bembe, Lueca, Quimbumba e Quinzo, está prevista, nos próximos três anos, a realização de trabalhos de reabertura da rampa de Tetelo, galerias e chaminés para avaliação subterrânea. Vão também ser efectuadas campanhas geofísicas ao solo no sector de Mavoio-Mbilo, montagem de pré-fabricados para áreas de apoio, construção da plataforma para a oficina auto, para depósito de combustíveis e a reabilitação do tanque central de águas com capacidade para cem mil litros.


Acções sociais


No âmbito das suas responsabilidades sociais, a Genius Mineira e a Angola Petroleum Service (AP-Service) pretendem promover programas de formação contínua do pessoal recrutado, assistência médica e medicamentosa às populações das aldeias circunscritas à região mineira e a criação de emprego para os jovens residentes nas zonas adjacentes ao projecto.

Nesta fase, de acordo com o João Albenás, mais de 60 pessoas, na sua maioria jovens, obtiveram emprego na mina de Mavoio, dos quais 96 por cento são jovens residentes no município de Maquela do Zombo. O geólogo prevê que, ao serem iniciados os trabalhos de engenharia e exploração de cobre, vão ser necessários mais de 250 trabalhadores.

“O início de implantação do projecto de desenvolvimento da mina vai determinar a revitalização da economia nesta região, através do estabelecimento de infra-estruturas e de todas as facilidades complementares”, concluiu.