Nosso sistema solar está composto pela nossa estrela, o Sol, pelos oito
planetas com suas luas e anéis, pelos planetas anões, asteróides
e pelos cometas.
Os cinco planetas mais brilhantes, que são visíveis a olho nu,
já eram conhecidos desde a antiguidade.
A palavra planeta em grego quer dizer
astro errante.
Depois da invenção do telescópio, outros 2
planetas do Sistema Solar foram
descobertos:
Urano em 1781 por William Herschel (1738-1822),
Netuno em 1846
por Johann Gottfried Galle (1812-1910), do Observatório de Berlim,
e o assistente Heinrich Louis d'Arrest (1822-1875),
seguindo a previsão
de Urbain Jean Joseph Le Verrier
(1811-1877)
e John Couch Adams (1819-1892).
Plutão foi
descoberto em 1930 por Clyde William Tombaugh (1906-1997),
e classificado até
agosto de 2006 como o nono planeta do sistema solar.
Desde então a União Astronômica Internacional reclassificou Plutão
como "planeta anão", constituindo uma nova categoria de corpos do sistema solar,
na qual também foram encaixados Ceres, o maior objeto do cinturão de asteróides
entre as órbitas de Marte e Júpiter, e
Éris (2003UB
313) o maior asteróide do cinturão de Kuiper.
Mais informações sobre asteróides são dadas no
capítulo
Corpos Menores.
Os nomes dos planetas são associados a deuses romanos:
Júpiter, deus dos deuses; Marte, deus da guerra;
Mercúrio,
mensageiro dos deuses; Vênus, deusa do amor e da beleza;
Saturno, pai de Júpiter, deus da agricultura;
Urano, deus do céu e das estrelas,
Netuno, deus do Mar e Plutão, deus do inferno.
Uma frase mnemônica para lembrar a ordem é:
Meu
E
R
C
Ú
R
I
O
|
Velho
Ê
N
U
S
|
Tio
E
R
R
A
|
Me
A
R
T
E
|
Jurou
U
P
I
T
E
R
|
Ser
A
T
U
R
N
O
|
Um
R
A
N
O
|
Netuniano
E
T
U
N
O
|
Ou: Minha Vó Tem Muitas Jóias. Só Usa Nua.
O corpo dominante
do sistema solar é o Sol, como pode ser
visto na tabela abaixo. Todos os planetas giram em torno do Sol
aproximadamente no mesmo plano e no mesmo sentido, e quase todos os
planetas giram em torno de seu próprio eixo no mesmo sentido da
translação em torno do Sol.
Massa no Sistema Solar
|
Componente | Massa |
Sol | 99,85% |
Júpiter | 0,10% |
Demais planetas | 0,04% |
Cometas | 0,01% (?) |
Satélites e anéis | 0,000 05% |
Asteróides | 0,000 000 2% |
Meteoróides e poeira | 0,000 000 1% (?) |
Órbitas dos planetas externos
em torno do Sol e do cometa Halley
(elipse bastante excêntrica).
A órbita de Plutão é inclinada 17°
em relação ao plano médio dos outros planetas
Composição Química da Atmosfera do Sol
Elemento | Z | A | Percentagem | Percentagem |
| | | em massa | em número |
| | | | de partículas |
|
H | 1 | 1 | 70,57 % | 91,2% |
He | 2 | 4 | 27,52% | 8,7% |
O | 8 | 16 | 0,9592% | 0,078% |
C | 6 | 12 | 0,3032% | 0,043% |
Ne | 10 | 20 | 0,1548% |
|
Fe | 26 | 56 | 0,1169% |
|
N | 7 | 14 | 0,1105% |
|
Si | 14 | 28 | 0,0653% |
|
Mg | 12 | 24 | 0,0513% |
|
S | 16 | 32 | 0,0396% |
|
Ne | 12 | 24 | 0,0208% |
|
Mg | 12 | 26 | 0,0079% |
|
Ar | 18 | 36 | 0,0077% |
|
Fe | 26 | 54 | 0,0072% |
|
Mg | 12 | 25 | 0,0069% |
|
Ca | 20 | 40 | 0,0060% |
|
Al | 13 | 27 | 0,0058% |
|
Ni | 28 | 58 | 0,0049% |
|
C | 6 | 13 | 0,0037% |
|
He | 2 | 3 | 0,0035% |
|
Si | 14 | 29 | 0,0034% |
|
Na | 11 | 23 | 0,0033% |
|
Fe | 26 | 57 | 0,0028% |
|
Si | 14 | 30 | 0,0024% |
|
H | 1 | 2 | 0,0023% |
|
A hipótese moderna para a origem do sistema
solar é baseada na hipótese nebular, sugerida em 1755
pelo filósofo alemão Immanuel
Kant (1724-1804), e desenvolvida em 1796 pelo matemático francês
Pierre-Simon de Laplace (1749-1827),
em seu livro
Exposition du Systéme du Monde. Laplace, que desenvolveu a teoria das
probabilidades, calculou que como todos os planetas estão no
mesmo plano, giram em torno do Sol na mesma direção, e
também
giram em torno de si mesmo na mesma direção (com
excessão de Vênus), só poderiam ter se formado de uma mesma
grande nuvem discoidal de partículas em rotação, a
nebulosa solar.
A versão moderna da teoria nebular propõe que uma grande nuvem rotante de gás interestelar
colapsou
para dar origem ao Sol e aos planetas. Uma vez que a contração iniciou,
a força gravitacional da nuvem atuando em si mesma acelerou o
colapso. À medida que a nuvem colapsava, a rotação da nuvem
aumentava por conservação do momentum angular e, com o
passar do tempo,
a massa de gás rotante assumiria uma
forma discoidal, com uma
concentração central que deu origem ao Sol. Os planetas teriam se
formado a partir do material no disco.

As observações modernas indicam que muitas nuvens de gás interestelar
estão no processo de colapsar em estrelas, e os argumentos físicos
que predizem o achatamento e o aumento da taxa de spin estão corretos.
A contribuição moderna à hipótese nebular diz respeito principalmente
a como
os planetas se formaram a partir do gás no disco, e foi desenvolvida
nos anos 1940 pelo físico alemão
Carl
Friedrich Freiherr von Weizäcker (1912-2007). Após o colapso
da nuvem, ela começou a esfriar; apenas o
Proto-sol, no centro,
manteve sua temperatura. O resfriamento acarretou a condensação
rápida do material, o que deu origem aos
planetesimais, agregados
de material com tamanhos da ordem de quilômetros de diâmetro,
cuja composição dependia da distância ao Sol: regiões
mais externas tinham temperaturas mais baixa, e mesmo os materiais voláteis
tinham condições de se condensar, ao passo que nas regiões
mais internas e quentes, as substâncias voláteis foram perdidas.
Os planetesimais a seguir cresceram por acreção de material para
dar origem a objetos maiores, os núcleos planetários.
Na parte externa do sistema solar, onde o material condensado
da nebulosa continha silicatos e gelos,
esses núcleos cresceram até
atingiram massas da ordem de 10 vezes a massa da Terra, ficando tão
grandes a ponto de poderem atrair o gás a seu redor, e então
cresceram mais ainda por acreção de grande quantidade de hidrogênio e
hélio da nebulosa solar.
Deram origem assim aos planetas jovianos.
Na parte interna, onde apenas os silicatos estavam presentes, os núcleos
planetários não puderam crescer muito, dando origem aos planetas terrestres.
Características Gerais dos Planetas
Existem dois tipos básicos de planetas, os
terrestres, que são
do tipo da Terra, e os
jovianos, que são do tipo
de Júpiter. Os planetas terrestres compreendem os quatro planetas mais
próximos do Sol:
Mercúrio, Vênus, Terra e
Marte. Os jovianos
compreendem os quatro planetas mais distantes,
Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.
As características fundamentais de cada tipo estão resumidas na
tabela abaixo:
Propriedades fundamentais dos Planetas

Como se determinam estas características?
Massa: determinada a partir da
terceira lei de Kepler, se o planeta
tem satélites. Se não tem, é determinada a partir de perturbações
causadas nas órbitas de outros planetas ou de satélites artificiais
que são enviados até estes planetas.
Raio:
medido diretamente do tamanho angular, quando se conhece a
distância.
Distância ao Sol:
determinada a partir da
paralaxe geocêntrica do
planeta, ou, mais modernamente, por medidas de radar.
Composição química:
pode ser estimada a partir da densidade média do planeta,
e por
espectroscopia.
Outras propriedades importantes dos planetas são:
Rotação:
todos os planetas apresentam rotação, detectada
a partir da observação de aspectos de sua superfície, por medidas
de
efeito Doppler ou
de taxas de rotação do campo magnético.
Temperatura:
como os planetas obtém a maior parte de sua energia da luz solar, suas
temperaturas dependem basicamente de sua distância ao Sol. Existe uma
relação simples entre a temperatura característica, ou
temperatura efetiva
(T
ef) de um planeta e sua distância ao Sol (
a):
Assim, sabendo a temperatura efetiva da Terra (260 K, na ausência de
atmosfera), podemos estimar a temperatura efetiva dos outros planetas
simplesmente dividindo 260 K pela raiz quadrada de sua distância ao Sol
em unidades astronômicas.
Reflectividade:
parte da energia solar incidente sobre o planeta é refletida, e parte
é absorvida. A fração da energia solar total incidente que é
refletida chama-se
albedo (A).
A = |
energia espalhada em todas as direções
energia solar
incidente |
|
|
O resto da energia
(1-A),
é absorvida e re-emitida em forma da radiação
infra-vermelha.
Estrutura Interna
Para conhecer a estrutura interna dos planetas é necessário saber
de que forma certos parâmetros físicos, como pressão,
temperatura e densidade, variam com o raio. Como um exemplo, a
densidade média (massa/volume) da Terra é
5,5 g/cm
3 e a densidade das rochas (silicatos) na superfície
é de 2,6 g/cm
3. Logo a Terra deve ter uma
estrutura interna diferenciada.
Camada | Espessura (km) | Densidade (g/cm3) |
Crosta | 35 | 2,5 - 2,6 |
Crosta oceânica | 5 - 12 | 3,0 - 3,5 |
Manto | 2885 | 4,5 - 10 |
Núcleo externo (líquido) | 2270 | 10,7 - 11 |
Núcleo interno (sólido)) | 1216 | 13,5 |
A pressão, por exemplo, pode ser obtida da equação de equilíbrio
hidrostático.
Equilíbrio hidrostático
O equilíbrio do planeta é mantido por duas forças opostas: a
auto-gravitação e a força decorrente da pressão. Assim, se
o planeta não está nem se expandindo nem se contraindo, ele tem que
obedecer à equação de equilíbrio hidrostático, isto é,
em cada ponto, o peso (
FG) das camadas superiores
é balanceado pela força
de pressão das camadas inferiores (
dPds), onde
ds é
um elemento de área.

Mais detalhadamente, vamos considerar um elemento de volume cilíndrico,
a uma distância
r
do centro da estrela, com seu eixo
na direção do centro, com uma seção transversal
ds
e um comprimento
dr.
A força de pressão atuando sobre
este elemento, isto é,
a diferença entre a força de pressão na parede interna
e a força de pressão na parede externa, é dada por:
onde
P
é a pressão, que será uma função,
monotonicamente decrescente, da distância
r
ao centro.
A força gravitacional atuando sobre o mesmo volume
será dada pela massa do volume, vezes a aceleração
gravitacional, isto é:
onde

é a densidade e
G
é a constante gravitacional.
Logo

Considerando que a pressão na superfície
é muito menor que a pressão no centro,
podemos integrar a equação
de equilíbrio hidrostático
do centro (
r=0, P=Pc) até
a superfície (
r=R, P=Ps<<Pc)
a pressão central é dada por:

A pressão a uma distância
r
do centro do planeta fica:
que em unidades do sistema internacional é:
O formalismo hidrostático é mais aplicável aos planetas jovianos, que
são gasosos. No caso dos planetas terrestres, que têm crosta sólida,
ele só se aplica às camadas mais profundas.
A
densidade de massa (

)
pode ser obtida através do momento de inércia
I em torno do eixo de rotação (L=Iw):
O fator
K caracteriza a distribuição interna de matéria. Se a densidade
for homogênea,
K = 0,4; se a densidade for maior nas partes centrais
K < 0,4, e vice-versa. Os planetas jovianos também se distinguem
dos planetas terrestres por possuírem valores menores de
K.
A partir de estudos do momento de inércia se sabe que os núcleo dos
planetas jovianos é mais denso e, portanto, menor, e também que
Júpiter e Saturno não podem ter superfície sólida
de tamanho significativo, isto é, só pode ter um núcleo sólido
pequeno.
A estrutura interna de um planeta pode ser bem conhecida se for possível
medir a transmissão de
ondas sísmicas nele. Essas ondas podem ser
produzidas por terremotos naturais ou por impactos artificiais.
Até o momento,
somente a estrutura da Terra e da Lua foram investigadas usando esta técnica,
o que mostrou claramente a existência de um núcleo metálico na Terra e
a ausência de núcleo metálico na Lua.
De um modo geral, os planetas terrestres têm uma atmosfera gasosa, uma
superfície sólida bem definida e um interior na maior parte sólido (embora
a Terra tenha um núcleo externo líquido). Os planetas jovianos têm
uma atmosfera gasosa, nenhuma superfície sólida, e um interior líquido
na maior parte. As estruturas internas dos planetas jovianos e terrestres podem ser
esquematizadas nas figuras abaixo.

As observações da espaçonave Galileo impuseram limites às massas
dos núcleos de Júpiter, entre 0 e 10 massas terrestres, e
de Saturno, entre 6 e 17 massas terrestres (Günther Wuchterl,
Tristan Guillot, & Jack J. Lissauer. 2000, Protostars and Planets
IV, 1081).
Superfícies
As superfícies planetárias podem ser conhecidas de forma preliminar
a partir do albedo, se o planeta não tem atmosfera espessa. Em planetas
com atmosfera espessa, como os planetas jovianos e Vênus, o albedo
não se refere à superfície.
Júpiter, Saturno e Netuno emitem quantidade significativa
de energia própria, às custas de seus calores
residuais de contração. A convecção
necessária para o transporte desta energia é que
causa as grandes manchas (tornados) nestes planetas.

As superfícies da Lua e de Mercúrio são parecidas, com grande número
de crateras e grandes regiões baixas e planas.

Marte apresenta
uma superfície com montanhas, vales e canais.

A superfície
de Vênus não é visível devido às densas nuvens de ácido sulfúrico
que cobrem o planeta, mas estudos em rádio (radar)
revelam que essa superfície é composta principalmente de terrenos
baixos e relativamente planos, mas também apresenta planaltos e montanhas.
Os principais processos que determinam alterações na crosta posteriormente
à sua formação, e portanto determinam o rejuvenescimento da crosta,
são: atividade geológica, erosão e cratereamento.
Atividade geológica
A atividade geológica, compreendendo vulcanismo e atividade tectônica,
depende da quantidade de calor interno no planeta. A atividade geológica
é decrescente para Terra, Vênus e Marte.
A Terra, com cerca de 4,5 bilhões de anos, é um pouco mais jovem do que o Sol, com cerca de
5 bilhões de anos.
Na Terra, tanto a presença de vulcões ativos quanto o movimento das
placas tectônicas contribuem para o renovamento da crosta. Em Marte
existem grandes vulcões, e alguns deles podem ser ativos, mas não há
evidência de tectonismo de placas.
Na Lua atualmente acontecem poucos sismos por anos (milhares, comparados
com milhões na Terra), mas na época em que a Lua era jovem, há cerca de
4 ou 3 bilhões de anos atrás, houve um grande vazamento de lava à
superfície, que posteriormente se solidificou formando os mares
(
marias) lunares
(regiões escuras, aparentemente baixa e planas, e que contêm muitas
crateras). A Lua tem crosta assimétrica, sendo mais delgada (60 Km) no
lado voltado para a Terra, e mais espessa (150 Km) no lado oposto. O número
de mares é maior no lado em que a crosta é delgada.
Vênus aparentemente é menos ativo do que a Terra, mas parece ter
mais atividade geológica persistente do que Marte. Isso indica que
Vênus teria retido
mais do seu calor residual do que Marte, o que está de acordo com o fato
de Vênus ser maior do que Marte.

Também acontece atividade geológica em Io, o satélite de Júpiter
mais próximo do planeta. Io apresenta um alto nível de atividade
vulcânica.
Ariel e Titânia, satélites
de Urano, também apresentam sinais de atividade catastrófica
recente.
Erosão
A erosão pode ser resultado da ação da atmosfera ou da hidrosfera. Não
existe erosão nem em Mercúrio e nem na Lua. Na Terra existe erosão,
como é evidenciado pela existência de rochas sedimentares. Mas o planeta
em que a erosão é mais importante é Marte,
devido às frequentes tempestades de poeira que assolam sua superfície.

As crateras aparecem em todos os planetas terrestres e em quase todos os
satélites do Sistema Solar. Elas podem ter origem vulcânica ou de impacto.
As crateras vulcânicas são em geral menores e mais fundas do que as de
impacto.
Na Terra, a maioria
das crateras existentes são de origem vulcânica, uma vez que a atividade
interna da Terra, assim como a erosão, apagaram grande parte
dos efeitos de impactos ocorridos na época em que muitos corpos residuais do
processo de formação povoavam o Sistema Solar. Mas na Lua, Mercúrio e Marte,
as crateras de impacto são dominantes. As recentes observações com radar
da superfície de Vênus mostraram que esse planeta também tem crateras,
mas ainda não se sabe ao certo sua principal origem.
O número de crateras de impacto numa superfície nos permite estimar a sua
idade, pois o número de crateras é proporcional ao tempo decorrido desde
que a superfície foi exposta. Portanto, em um dado planeta, o
terreno mais cratereado
será sempre o mais antigo.
No impacto, a energia cinética
do corpo
impactante é transformada em calor e em uma onde de choque que se
propaga pelo corpo impactado. A velocidade de colisão é, no mínimo,
igual à velocidade de escape do corpo que está sendo colidindo
(11 km/s para
a Terra, e 2,4 km/s para a Lua). Assim, para um asteróide típico, com
raio = 2,1 km e densidade = 1 g/cm
3,
sua energia cinética ao colidir com a Terra será (no mínimo)
E
c=2,4 × 10
28 ergs = 5,7 × 10
8
KTon TNT. A energia
associada ao TNT
(Tri-Nitro-Tolueno = nitroglicerina) é
4,2 × 10
10 ergs/g.
Para ter uma idéia do que isso representa, a energia associada a uma
bomba atômica é de 20 Kton TNT, logo no impacto mencionado acima a
energia liberada seria equivalente à de 30 milhões de bombas atômicas!
O tamanho da cratera gerada é proporcional à potência 1/3 da energia
do impacto. Assim, sabendo que um impacto com energia de 1 Mton TNT abre
uma cratera de 1 km de diâmetro, num impacto como o acima descrito a
cratera aberta teria um diâmetro de 80 km.

A cratera de Chicxulub, no México, supostamente gerada no impacto que causou a
extinção dos dinossauros, há 65 milhões de anos, tem diâmetro de 200 km,
e acredita-se que o
asteróide que a provocou tinha um diâmetro de no mínimo 10 km.
A energia liberada nessa explosão foi equivalente a 5 bilhões de
bombas nucleares do tamanho da bomba de Hiroshima.
Cálculos atuais mostram que impactos grandes como esse, na Terra, ocorrem
numa taxa de 1 a cada 30 milhões de anos.
Possivelmente o continente primordial, Pangea, foi rompido a 225 milhões
de anos pela colisão de um grande asteróide.
"
A composição da atmosfera dos planetas pode ser conhecida pela análise
espectral da luz solar que eles refletem. Como essa luz solar refletida
atravessou parte da atmosfera do planeta, e as moléculas do gás na
atmosfera absorvem certos comprimentos de onda, o espectro apresenta
certas linhas escuras que não aparecem no espectro solar. A identificação
dessas linhas escura permite identificar os gases que as produziram, assim
como a pressão e temperatura da atmosfera.
Os gases presentes na atmosfera de um planeta depende dos constituintes
químicos de que o planeta se formou, e da massa do planeta. Os planetas
terrestres se formaram sem atmosferas extensas, e sua atmosfera atual
não é primitiva, mas sim foi formada ao longo do tempo geológico
a partir de gases escapados de seu interior. O impacto com cometas também
contribui com alguns componentes dessa atmosfera secundária.
Já os planetas massivos
têm um tipo de atmosfera totalmente diferente, dominada pelos
gases mais leves e mais comuns, especialmente hidrogênio e hélio.
Evidentemente esses planetas foram capazes de reter o gás presente no
sistema solar na época de sua formação.
A retenção de atmosferas é um compromisso entre a energia cinética (ou
temperatura)
das moléculas do gás e a velocidade de escape do planeta (ou de sua massa).
Sabe-se que para um gás ideal, a
energia cinética média de suas
moléculas é
onde
k é a constante
de Boltzmann,
T é a temperatura absoluta do gás,
m é a massa das
moléculas do gás e

sua velocidade média.
- Constante de Boltzmann: k = 1,381 × 10-23 J/K (sistema MKS)
- Constante de Boltzmann: k = 1,381 × 10-16 ergs/K
(sistema cgs)
Portanto a velocidade média é

A velocidade das moléculas, portanto, depende da temperatura do gás e
da massa molecular do gás. A uma mesma temperatura, quanto mais pesado
o gás, menor a velocidade média de suas moléculas.
Como as moléculas do gás têm uma distribuição Maxwelliana de
velocidades, a probabilidade
P(v) de que uma partícula tenha velocidade
(v) é dada por:

algumas moléculas têm velocidade maior que a
velocidade média.
Para calcular quantas partículas escapam, integramos
a distribuição de velocidades de Maxwell desde a velocidade
de escape até velocidade infinita.

Estes cálculos mostram que, para um planeta reter um certo gás por bilhões
de anos,
a velocidade média de suas moléculas deve ser menor do
que 1/6 da velocidade de escape do planeta, já que:
ou seja, somente 1 em cada um bilhão de partículas escapa.
k = 1,38 x 10
-16 ergs/K
m
p = 1,66 x 10
-24 g
m
O = 16 m
p
G = 6,67 x 10
-8g
-1 cm
3 s
-1
M
Terra = 5,98 x 10
27 g
R
Terra = 6,37 x 10
8 cm.
Por exemplo, a velocidade média das moléculas do oxigênio, a uma
temperatura de 293 K (temperatura típica na superfície da Terra),
é de 1 Km/s, e a velocidade média das moléculas do hidrogênio,
na mesma temperatura é de 2 km/s. Como a velocidade de escape da
Terra é 11 km/s, que é mais do que 6 vezes maior do que a velocidade
média das moléculas de oxigênio, mas é menos do que 6 vezes
maior do que a velocidade média das moléculas do hidrogênio, a
atmosfera da Terra retém o oxigênio, mas não o hidrogênio.
Velocidade de Escape dos Planetas
Planeta | Velocidade |
| (km/s) |
Mercúrio | 4,2 |
Vênus | 10,3 |
Terra | 11,2 |
Lua | 2,4 |
Marte | 5,0 |
Júpiter | 61 |
Saturno | 37 |
Urano | 22 |
Netuno | 25 |
Velocidade dos gases a diferentes temperaturas
e a velocidade de escape dos planetas e satélites.
Efeito estufa
A maioria dos planetas que têm atmosferas experimenta alguma elevação
da temperatura de sua superfície devido ao efeito de acobertamento
pela atmosfera, o chamado
efeito estufa.
O efeito estufa é maior para Vênus, que na realidade, tem uma
temperatura superficial mais alta do que a de Mercúrio, embora esteja
muito mais distante do Sol do que este.
Isso acontece por causa da grande quantidade de

na atmosfera de
Vênus. Como este gás é opaco à radiação infra-vermelha, quando
a superfície do planeta absorve a luz solar e re-irradia parte dele
como calor (radiação infra-vermelha), o dióxido de carbono na atmosfera
impede que essa radiação escape para fora. Em consequência,
a superfície aquece.
Na Terra, a quantidade de dióxido de carbono foi reduzida como
consequência
da existência de vida. Na ausência de vida provavelmente teríamos
uma atmosfera mais massiva e dominada por

.
Os organismos vivos contribuem para a diminuição desse gás na atmosfera
de duas maneiras: uma é que as criaturas marinhas usam os carbonatos como
principal constituinte de suas conchas e carapaças protetoras. Quando elas
morrem, essas cascas afundam e se petrificam, até que eventualmente são
ejetadas para a superfície nas explosões vulcânicas. Mas os organismos
vivos rapidamente os reciclam novamente. A outra maneira como a vida remove
o

é pela produção de depósitos de combustíveis fósseis,
predominantemente
o carvão.
O petróleo não é mais necessariamente considerado um combustível fóssil
(biogênico),
pois pode ser um hidrocarboneto primordial (abiogênico), ao qual produtos
biológicos foram adicionados.
Mesmo apesar de existir em pequena quantidade, o

presente na atmosfera
da Terra ainda é o principal fator da produção do efeito estufa na Terra,
embora o vapor d'água e os CFCs também contribuem.
Determinações
das variações na concentração de CO2 medidas
em bolhas de ar em núcleos de gelo até 3270 m de profundidade na Antártica mostram que nos últimos
800 mil anos a concentração não tinha passado de 300 partes por milhão.
Neste período ocorreram 8 idades glaciais
("High-resolution carbon dioxide concentration record 650,000-800,000 years before present",
Dieter Lüthi, Martine Le Floch, Bernhard Bereiter, Thomas Blunier,
Jean-Marc Barnola, Urs Siegenthaler, Dominique Raynaud, Jean Jouzel,
Hubertus Fischer, Kenji Kawamura & Thomas F. Stocker, Nature 453,
379, 15 May 2008.)
Estima-se que a
temperatura média da Terra está atualmente

C mais alta do
que estava há um século atrás.
O nível do mar aumentou cerca de 15 a 20 cm neste século.
A figura da esquerda apresenta medidas da variação da temperatura global em
relação à temperatura de 1950, mostrando um aumento de 0,8° até o ano 2000.
O gráfico da direita mostra um modelo de variação da temperatura no topo da
troposfera até o ano 2100, baseado na tendência atual. É previsto um aumento de
0,6° em 100 anos. É importante notar que na última era glacial a variação de
temperatura no topo da troposfera foi de apenas 0,2°.
Atualmente
existem duas teorias principais para a formação de planetas:
fragmentação do disco proto-planetário
[Alan Paul Boss (1951-), 2003, Astrophysical Journal, 599, 577]
ou acréscimo de massa dos planetesimais
[Shigeru Ida (1960-) &
Douglas N.C. Lin, 2004, Astrophysical Journal].
Neste último artigo, Ida e Lin propõem a existência de
um "deserto de planetas" com massas entre 10 M
Terra e
100 M
Terra, e distâncias menores que 3 UA,
já que os planetesimais crescem rapidamente e migram para
distâncias maiores se formados na região mais interna.
A Terra como um grão de pimenta
Auto-Teste
Corpos Menores do Sistema Solar
Astronomia e Astrofísica
©
Kepler de Souza Oliveira Filho & Maria de Fátima Oliveira Saraiva
Modificada em 1 oct 2012
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