quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Estado angolano investe trezentos mil milhões de kwanzas em programas energéticos

Do Portal Angop

Cela – O Estado angolano, através do Ministério da Energia e Águas (Minea), está a investir, no presente ano, um montante financeiro orçado em trezentos mil milhões de kwanzas, para a materialização dos grandes projectos estruturantes no domínio da produção de energia.


O facto foi anunciado hoje, quinta-feira, na cidade da Cela, município do Waku Kungo, província do Kwanza Sul, pelo ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, quando discursava no terceiro Conselho Consultivo do Minea.


Entre os principais projectos estruturantes, realçou a construção do Aproveitamento Hidroeléctrico de Laúca, na província do Kwanza Norte, que terá uma capacidade de 2067 Megawatts (MW), cuja conclusão está prevista para os finais de 2017, edificação da segunda central da Barragem Hidroeléctrica de Cambambe, província do Kwanza Norte, e a central combinada do Soyo, província do Zaire.


Segundo o governante, considerando as necessidades inscritas no plano de acção do sector para o quinquénio 2013-2017 e os objectivos no programa do Executivo, prevê-se que sejam necessários cerca de 2,3 triliões de kwanzas, para a materialização de projectos do sector eléctrico.



Em 2012, recordou, foram disponibilizados pelo Tesouro à Empresa Nacional de Electricidade e Empresa de Distribuição de Energia (EDEL), respectivamente, 70 mil milhões de kwanzas, para subsidiar preços.


“Na  ENE, 83 porcento dos proveitos operacionais da empresa, ou seja, cerca 63 milhões de kwanzas foram provenientes do Estado a título de subsídios à preços. Na EDEL, 44 porcento dos seus proveitos operacionais, no valor de 9,7 mil milhões de kwanzas foram cobertos por subsídios do Estado”, detalhou.


Os custos operacionais das duas empresas, salientou, crescem a uma taxa média anual de 28 porcento, com reflexo no aumento anual da subsidiação.


“A questão fundamental que se coloca é o que se passará, caso sejam mantidos os actuais níveis de subsidiação das empresas face ao elevado esforço de investimento que se assiste no aumento da capacidade de geração, transporte e distribuição de eletricidade, que num prazo de cinco anos quintuplicará a actual”, referiu.


Projecções efectuadas recentemente, precisou, indicam que caso se mantenha a tendência da evolução dos actuais défices operacionais e, consequentemente, os níveis de subsidiação, o esforço financeiro feito pelo Estado poderá ser transferidos, aos poucos, para a cobertura das necessidades operacionais, em detrimento dos investimentos dos serviços de fornecimento de energia eléctrica a uma maior franja da população.


“A manter-se o actual cenário, em 2020 seria expectável que as necessidades de financiamento à exploração das empresas fossem de cerca de 400 mil milhões de kwanzas, enquanto para os investimentos seriam de 230 mil milhões de kwanzas, podendo-se aferir não haver, em termos globais, a desejável e necessária redução das subvenções gerais do Estado, para com as empresas do sector eléctrico, facto que pode agravar mesmo a sua sustentabilidade”, argumentou.


Participam no evento, que encerra sexta-feira, os secretários de Estado para Energia e para as Águas, Joaquim Ventura e Luís Filipe da Silva, respectivamente, directores nacionais, assessores e outros funcionários séniores do Minea.


O encontro conta também com as presenças dos presidentes do Conselho de Administração das empresas afectas ao ministério, responsáveis do Governo da província do Kwanza Sul, representantes da autoridade tradicionais, entre outras entidades convidadas.