quinta-feira, 30 de maio de 2013

Xeque à teoria estelar: maioria das estrelas não morreu em explosão

Xeque à teoria estelar: maioria das estrelas não morreu em explosão


Berlim, 29 mai (EFE).- Uma equipe internacional de astrônomos pôs em xeque a teoria estelar ao descobrir que a maioria das estrelas não passa por uma fase final explosiva como se acreditava, mas se esfriam gradualmente durante bilhões de anos.
Segundo um comunicado do Observatório Austral Europeu (ESO) publicado pela revista "Nature", os cientistas constataram além disso que as que acabam explodindo costumam ter um alto nível de sódio, embora se desconheça a relação entre ambos os casos.
"Parece que as estrelas precisam ter uma 'dieta' baixa em sódio para atingir a fase de AGB em sua idade avançada", explica o líder da equipe de astrônomos, Simon Campbell, do Centro de Astrofísica da Universidade de Monash (Austrália).
A fase AGB (Ramo Assintótico das Gigantes) representa o final da vida das estrelas de um tamanho similar ao sol, na qual o núcleo destes corpos celestes explode e grande parte de sua massa é expelida em forma de gás e pó ao espaço, produzindo uma forte luminosidade.
Até agora, os modelos teóricos estelares apontavam que todas as estrelas morriam assim, mas a equipe de Campbell acaba de demonstrar empiricamente que, de fato, "a maior parte das estrelas estudadas simplesmente nunca chega a essa fase".
"Nossos modelos estelares estão incompletos e devem ser revisados", afirma Campbell, que estima que 70% das estrelas não seguem o modelo e nunca explodem.
As conclusões destes cientistas foram realizadas após a observação, com o telescópio do ESO situado em La Silla (Chile), da luz proveniente das estrelas de um cúmulo globular - agrupamento de até um milhão de estrelas velhas ligadas gravitacionalmente e que orbitam em torno de uma galáxia -, concretamente o chamado NGC 6752, na constelação austral do Pavão.
Os resultados foram claros: a maioria das estrelas observadas nunca chega a explodir, mas se transforma em anãs brancas, esfriando paulatinamente ao longo de bilhões de anos, e as que explodem contêm sempre altos níveis de sódio. Por isso, os astrônomos concluíram que "a melhor forma de prever como elas terminam suas vidas é conhecendo a quantidade de sódio das estrelas".
No entanto, eles não acreditam que o sódio por si próprio seja a causa deste comportamento diferente, mas consideram que deve estar fortemente ligado à causa subjacente, algo que continua a ser "um mistério" para a ciência. EFE