terça-feira, 8 de outubro de 2013

Geomorfologia Fluvial (1)



O principal agente modelador do relevo é a água. A transferência e o movimento das águas desgastam e modificam o relevo terrestre, tendendo a uniformizá-lo. Além disso, o desgaste das formas do relevo está associado à maior ou menor resistência da rocha à erosão. As rochas sedimentares, por exemplo, formadas por sedimentos originários de outras rochas, geralmente dispostas em camadas, são menos resistentes à erosão que as rochas magmáticas, originárias da solidificação do magma, e que as metamórficas que são rochas transformadas por variações de pressão e temperatura.
O movimento da água entre os continentes, oceanos e a atmosfera é chamado de “ciclo hidrológico”. Para entendermos a geomorfologia fluvial, é necessário compreendermos o ciclo hidrológico.
 


Na atmosfera, o vapor da água em forma de nuvens pode ser transformado em chuva, neve ou granizo, dependendo das condições do clima. Essa transformação provoca o que se chama de precipitação. A precipitação ocorre sobre a superfície do planeta, tanto nos continentes, como nos oceanos. Nos continentes, uma parte das precipitações é devolvida para a atmosfera, graças à evaporação, outra parte acaba desaguando nos oceanos depois de percorrer os caminhos recortados pelos rios. Os oceanos, portanto, recebem água de duas fontes: das precipitações e do desaguamento dos rios, e perdem pela evaporação. Na atmosfera, o excesso de vapor sobre os oceanos é transportado para os continentes, em sentido inverso do desaguamento. Os oceanos evaporam mais água que recebem pela precipitação, mas a água do mar não pode ser utilizada para consumo ou irrigação por ser salgada.

Quanto à precipitação:

A precipitação é alta na zona equatorial, especialmente sobre as florestas tropicais e no Oceano Pacífico. Nas regiões sob a influência das altas subtropicais, a precipitação é baixa; já na zona temperada existem regiões de precipitações relativamente altas, onde predominam os sistemas frontais. Na zona polar, as precipitações são baixas.

Quanto à evaporação:

A evaporação é alta nos continentes que estão sob a influência das altas subtropicais. Nos oceanos equatoriais; onde a precipitação é abundante, a evaporação é menos intensa. Nos continentes, a evaporação máxima ocorre na zona equatorial. Lembramos que na “contabilidade global” chove mais nos continentes que nos oceanos e que os oceanos evaporam mais que os continentes.


No campo da Geomorfologia, a água será um agente fundamental nas modificações do relevo. O principal efeito geodinâmico (ou seja, capaz de modificar o relevo) do ciclo hidrológico é o escoamento superficial, sendo o sistema fluvial o mais importante. O estudo do comportamento do sistema fluvial como modelador do relevo é chamado de “Geomorfologia Fluvial”.


Geomorfologia Fluvial

A carga sólida dos rios é a ferramenta da erosão, sendo fornecida pelo intemperismo e pelos processos de denudação sobre as vertentes dos vales.


Fundamentos hidrodinâmicos da ação fluvial:
- Processos lineares = os processos que se exercem em linha.

- Uma bacia hidrográfica é bastante complexa, subdivide-se em canais cada vez menores de jusante para montante.

- À medida que a quantidade de água de um rio aumenta, o declive diminui na direção jusante; logo, o declive é função inversa da vazão.

- Quando os rios entram no mar, a energia  potencial da queda é igual a zero e nenhuma transformação de energia potencial em trabalho é possível, então, o nível do mar é o nível de base final da erosão (“nível de base”).

- Os rios possuem vazão máxima na foz, portanto, gradientes mais suaves.

- Vazão ou Débito = é o volume de água que passa numa dada sessão do rio, numa unidade de tempo (geralmente expressa em m³/seg.

- A largura do canal, a profundidade e a velocidade da corrente aumentam nos postos de medição, durante as cheias.

- À medida que a vazão de um rio aumenta a profundidade do canal, a largura e a velocidade da corrente aumentam.

- Os rios se tornam mais largos, mais profundos à medida que o volume cresce à jusante. A velocidade média também cresce para jusante.

- A largura e a profundidade do canal aumentam rapidamente à jusante com o aumento da vazão.

- A velocidade de uma corrente é dada em uma função da declividade do leito, rugosidade, viscosidade da água, profundidade e largura do canal, além do volume da corrente.