terça-feira, 8 de outubro de 2013

Geomorfologia Ambiental




A Geomorfologia ambiental propõe analisar o relacionamento do relevo com o ambiente onde ele se insere, bem como fatores que o levem ao equilíbrio ou desequilíbrio ambiental (Biosfera).
            O solo representa a fração desagregada da rocha (litosfera) e tende a encontrar-se em equilíbrio dinâmico com o ambiente (Biosfera e Atmosfera), esse equilíbrio ao se quebrado causará uma série de transformações no relevo que afetará o ambiente como um todo. Estas mudanças no ambiente podem ter causas cíclicas ou não, naturais ou antrópicas, reversíveis ou irreversíveis.
Causas Naturais:
·         Associadas a mudanças climáticas
·         O que muda: Precipitação / Clima / Vegetação
·         Como muda: Exposição do solo, intemperismo físico e químico
·         Natureza da Mudança: Cíclica em longos períodos (milhares de anos – de acordo com as glaciações existentes)
CAUSAS ANTRÓPICAS:
·         Associadas a intervenção do homem junto a alguns fatores ambientais (clima, vegetação e solo)
·         O que muda: Em termos efetivos, a remoção da cobertura vegetal (alteração do clima?????)
·         Como muda: Exposição do solo, remoção (erosão)
·         Natureza da mudança: Não cíclica, em curto período (meses, anos).
Sendo assim, vemos que o principal processo de modificação efetiva do solo é a erosão, causada principalmente pela influência humana no ambiente e que consiste na retirada do material que foi decomposto da rocha original, num processo também muito atingido pelo intemperismo (a decomposição propriamente dita).

O PROCESSO DE REMOÇÃO DO SOLO – EROSÃO PLUVIAL
            Também chamada de erosão hídrica, é o tipo de erosão mais importante e preocupante no Brasil, pois desagrega e transporta o material erodido com grande facilidade, principalmente em regiões de clima úmido onde seus resultados são mais drásticos. Gotas de chuva ao impactarem um solo desprovido de vegetação, desagregam partículas que, conforme seu tamanho são facilmente carregadas pela enxurrada. Usando um exemplo da agricultura, quando o agricultor se dá conta de que este processo já está acontecendo, o solo já está improdutivo.
            A erosão pela água se apresenta das seguintes formas:
·         Embate (Splash): Ocorre pelo impacto das gotas de chuva no solo, estando este desprovido de vegetação; partículas são desagregadas sendo facilmente arrastadas pelas enxurradas.
·         Laminar: Desgasta de forma uniforme o solo. Em seu estágio inicial é quase imperceptível, já quando avançado o solo torna-se mais claro (coloração), a água da enxurrada é lodosa, raízes de plantas perenes afloram e há decréscimo na colheita.
·         Ravinas: Apresentam sulcos sinuosos ao longo dos declives, estes formados pelo escorrimento das águas das chuvas no terreno. Uma erosão em lençol pode evoluir para uma erosão em sulcos, o que não indica que uma iniciou em virtude da outra. Vários fatores influem para o seu surgimento, um deles é a aração que acompanha o declive, resultando em desgaste, empobrecimento do solo e posterior dificuldade para manejo e sulcos já formados.
·         Desabamento: Têm sua principal ocorrência em terrenos arenosos. Sulcos deixados pelas chuvas sofrem novos atritos de correntes d’água vindo a desmoronar, aumentando suas dimensões com o passar do tempo.
·         Vertical: É a eluviação (quando as rochas sofrem ações de meteorização, alguns dos componentes alteram-se e são arrastados pelas águas pluviais infiltradas. Os materiais residuais constituem os eluviões; ao fenómeno que os origina dá-se o nome de eluviação. É erosão meteórica (agentes atmosféricos)). Ou seja, o transporte de partículas e materiais solubilizados do solo. A porosidade e desagregação do solo influenciam na natureza e intensidade do processo podendo formar horizontes de impedimento ou deslocar para e pelas raízes.

CONCEITOS IMPORTANTES
·         Lixiviação: Qualquer processo de extração ou solubilização seletiva de constituintes químicos de uma rocha, mineral, depósito sedimentar, solo, etc. pela ação de um fluido percolante.
· Voçoroca: Ravina geralmente muito funda, podendo atingir mais de 10m de profundidade, desenvolvida para o plantio de pasto com gramíneas que não seguram a erosão que se processa, assim de forma vigorosa e rápida.


Exemplo de Ravinamento




 Exemplo de Voçoroca




EROSÃO DE SOLOS - ESCORREGAMENTOS E AVALANHCES

MOVIMENTO DE MASSA: É o movimento de solo ou material rochoso encosta abaixo sob a influência da gravidade, sem a contribuição direta de outros fatores como água, ar ou gelo. Entretanto, água e gelo geralmente estarão envolvidos em tais movimentos, reduzindo a resistência dos materiais e interferindo na plasticidade e fluidez dos solos. Internamente estão ligados à alteração do equilíbrio entre as tensões no interior da massa. esse equilíbrio é controlado pelo teor de água e pelo teor e estrutura interna das mecânicas e/ou hidráulicas, localizando-se preferencialmente nos contatos entre o solo, o regolito e a rocha sã. Podem ser deflagrados por eventos chuvosos extremos, chuvas prolongadas de intensidade moderada, terremotos, erupções vulcânicas e derretimento de geleiras. Na maior parte dos casos, a chuva é o principal agente deflagrador. a deflagração também está relacionada às condições que antecedem o evento pluviométrico extremo. Há maior probabilidade de ocorrência de movimentos quando um forte aguaceiro é precedido por dias consecutivos de chuva, que aumentam o grau de saturação do solo. Uma chuva intensa precedida por dias secos também podem provocar movimentos, mas a probabilidade de ocorrência diminui quando comparada à situação anterior. Os movimentos de massa também estão associados a fatores como estrutura geológica, características do material envolvido e morfologia do terreno (declividade, tipo e modelado e forma das enconstas) e forma de uso da terra.
·     Estutura geológica: diz respeito principlamente às falhas, fraturas, bandamentos e foliações. A existência destas estruturas, associada às suas características (direção e mergulho), condicionam o surgimento de descontinuidades mecânicas e hidráulicas, as quais contribuem decisivamente na deflagração de movimentos.
·     As características dos materiais: estão relacionadas a granulometria, porosidade, permeabilidade, resitência ao cisalhamento, entre outros. Estas características determinam a estabilidade natural dos materiais e também são responsáveis pelo surgimento das descontinuidades mencionadas.
·     A morfologia do terreno: é um dos principais fatores que condicionam a ocorrência de movimentos. A declividade favorece o rápido deslocamento de massas de solo e blocos de rocha ao longo das encostas pelo efeito da gravidade. Entretanto, nem sempre o maior número de movimentos ocorre nas áreas mais íngremes. Isso se deve a variações no tipo de cobertura vegetal e ao fato dos terrenos mais íngremes geralmente serem constituídos por afloramentos rochosos desprovidos de cobertura superficial. Quanto aos tipos de modelado, as áreas de dissecação que apresentam forte incisão dos vales junto às encostas íngremes são as mais suscetíveis a movimentos de massa. A forma das encostas também é um fator importante. Encostas retilíneas são as mais perigosas, por apresentarem uma declividade relativamente constante ao longo de seu perfil, o que facilita o rápido deslocamento dos matérias superficiais.

CLASSIFICAÇÃO DOS MOVIMENTOS DE MASSA
·  Rastejamento (Creep) – é o movimento gravitacional lento e contínuo da camada superficial do solo, perceptível somente em observações de longa duração. Essa camada superficial geralmente não chega a um metro de profundidade, mas pode atingir 10 metros em alguns locais.
·  Os escorregamentos (slides) – são movimentos rápidos, de curta duração e com plano de ruptura bem definido, sendo possível a distinção entre o material deslizado e o que não foi movimentado.
·  As corridas (flow) – também são movimentos rápidos, associados à concentração de fluxos d’água superficiais em determinado ponto da encosta. Geralmente os materiais (solo, pequenos blocos e restos vegetais) são transportados ao longo de canais de drenagem e se comportam como um fluido altamente viscoso. Uma corrida pode ser gerada por pequenos escorregamentos que se deslocam em direção aos cursos d’água, o que torna difícil a distinção ente estes dois tipos de movimento.
·  Desabamentos ou queda de blocos (rockfalls) – representam movimentos em queda livre de blocos e lascas de rocha. São resultantes do avanço do intemperismo físico e químico através das descontinuidades das rochas, representados por falhas, fraturas e bandamentos.

Os movimentos de massa fazem parte da dinâmica da paisagem. Destacam-se como um dos principais processos geomorfológicos responsáveis pela evolução do relevo, sobretudo em áreas montanhosas. Remobilizam materiais ao longo das encostas em direção às planícies e promovem, juntamente com os processos erosivos, o recuo das encostas e a formação de rampas coluviais. Entretanto, quando ocorrem em áreas ocupadas podem se tornar um problema, causando mortes e enormes prejuízos materiais.