domingo, 24 de novembro de 2013

Mudanças climáticas globais podem aumentar nível de mercúrio no meio ambiente


Por Charlene Porter



O nível de mercúrio no meio ambiente pode aumentar, como resultado das mudanças climáticas globais, mostra uma nova pesquisa


Washington – Pesquisadores descobriram que o nível de mercúrio no meio ambiente pode aumentar como resultado das mudanças climáticas globais, o que representa uma consequência adversa além das temperaturas em elevação.

O mercúrio é um elemento encontrado em depósitos de minérios ao redor do mundo e é extremamente tóxico para todas as formas de vida. Ele ocorre naturalmente, mas também é liberado na atmosfera a partir de minas de ouro e queima de carvão. Essas emissões eventualmente acabam nos oceanos e no solo, e de lá podem entrar na cadeia alimentar.

De acordo com um artigo científico de coautoria de pesquisadores do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e da Universidade de Harvard, espera-se que diferentes forças das mudanças climáticas afetem o mercúrio em escala global.

“Estudos como esse nos ajudam a compreender melhor os efeitos gerais de múltiplos impactos no meio-ambiente”, disse a diretora em exercício do USGS, Suzette Kimball. “Estamos somente começando a entender as muitas consequências das mudanças climáticas globais e como diversos problemas ambientais são realmente interrelacionados.”

A maioria das projeções de mudanças climáticas prevê um aumento de intensidade das tempestades, o que causa uma maior erosão do solo, liberando mercúrio armazenado no solo, que flui para cursos de água, rios e mais além, de acordo com um comunicado de imprensa do USGS sobre o artigo.

Incêndios florestais intensos e mais frequentes são outras consequências esperadas das mudanças climáticas. Novamente, o vento provavelmente irá liberar e transportar o mercúrio depositado no solo.

A pesquisa examina “a intersecção do comportamento complexo do mercúrio no meio ambiente com a miríade de aspectos das mudanças globais”, afirma David Krabbenhoft, cientista do USGS e principal autor do artigo na revista Science. “Apesar da ciência por trás da pesquisa do mercúrio ter aumentado exponencialmente nas últimas duas décadas, um importante desafio que ainda permanece para a pesquisa é o de oferecer informações confiáveis para gerentes de recursos e tomadores de decisão em tópicos tão complexos.”

O “comportamento complexo” dos seres humanos é outro curinga em quaisquer projeções sobre futuras emissões de mercúrio. Emissões humanas atuais de mercúrio são de cerca de 2 mil toneladas métricas por ano, mas estão sendo implementadas iniciativas em muitas frentes para baixar aquela produção.

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, por exemplo, anunciou em 20 de setembro uma proposta para normas mais severas, limitando as emissões de usinas termelétricas a carvão a serem construídas no futuro. Essas usinas estão entre as mais significativas e concentradas fontes de gases de efeito estufa, contribuindo para as mudanças climáticas nos Estados Unidos. As novas normas garantirão que as centrais elétricas do futuro serão construídas com tecnologias limpas, que limitam as emissões.

A equipe de pesquisa USGS-Harvard calcula que se forem promulgadas as regulamentações que atendem as propostas mais severas que agora estão sendo consideradas, as emissões humanas de mercúrio poderão cair para 800 toneladas métricas por ano até 2050. Se nenhuma medida for tomada e as emissões continuarem e aumentarem aos níveis atuais, os pesquisadores preveem que as emissões de mercúrio provavelmente aumentarão para 3.400 toneladas métricas por ano até 2050.

Amostras de solo revelam um histórico de emissões de mercúrio proveniente das atividades humanas. Desde a Revolução Industrial, os registros do solo documentam um aumento de três a cinco vezes em depósitos de mercúrio atmosférico em quase 130 anos de atividade de queima de carvão. De acordo com o comunicado de imprensa do USGS, se as emissões de mercúrio detectadas no solo tivessem sido medidas desde o apogeu da Grécia e Roma antigas, o aumento seria de sete a dez vezes.

Devido ao aumento rápido dos preços do ouro nos últimos anos, a mineração de metais preciosos está atualmente assumindo a posição de principal fonte de emissões de mercúrio resultantes da atividade humana. O mercúrio separa o ouro da rocha, e os métodos usados naquele processo de extração expõem frequentemente mineiros e o meio ambiente a níveis tóxicos do elemento, algumas vezes conhecido como quicksilver, relata o USGS.

A comunidade internacional deu os primeiros passos no sentido de limitar as emissões de mercúrio em janeiro de 2013, com a adesão de mais de 140 países à Convenção Minamata sobre o Mercúrio. O tratado deverá ser assinado em uma conferência diplomática no Japão, em outubro. As negociações sobre o tratado começaram em 2010.

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