quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

De Onde Vem Este Diamante?








© Instituto Gemológico da América. Reimpressão autorizada

As áreas brancas são regiões nas quais diamantes naturais foram encontrados.


Oito bilhões de dólares em diamantes são produzidos todos os anos, em minas no mundo todo. Então por que é importante saber de onde vêm os diamantes? No filme, James Bond ficou desconfiado, pois os diamantes deviam ter vindo de uma mina na Islândia - um local onde diamantes nunca haviam sido encontrados. Se você olhar para o mapa abaixo, poderá observar todas as regiões do mundo (marcadas em branco) onde já foram encontrados diamantes. A Islândia está marcada? Não. Então James tinha razão para desconfiar. Ele enviou os diamantes para serem testados. O laboratório descobriu típicos diamantes de "conflito" da África, e não da Islândia onde Gustav supostamente os havia encontrado.

Por que Gustav estava mentindo sobre a origem dos diamantes e o que são diamantes de 'conflito'? Depois de muita pesquisa, eu descobri a resposta. Diamantes de conflito vêm de países onde há guerra civil. Forças rebeldes, que lutam contra os governos dos países, garimpam diamantes e os vendem ilegalmente. Elas usam o dinheiro para comprar armas, o que faz com que a matança e o derramamento de sangue continue. Isso aconteceu em muitos países, incluindo Serra Leoa, Angola e República Democrática do Congo. Estima-se que os diamantes de conflito sejam responsáveis por apenas quatro por cento da produção anual mundial. Isso pode não parecer muito, mas acredita-se que, nos últimos seis anos, um grupo rebelde angolano chamado UNITA levantou US$ 3,7 bilhões com a venda de diamantes de conflito. A venda dos diamantes é provavelmente a única fonte de renda para alguns desses grupos rebeldes, e por isso o restante do mundo decidiu não comprar mais diamantes desses países.

Fazer as pessoas pararem de comprar diamantes de conflito não é fácil, já que eles podem ser contrabandeados para países vizinhos como a Libéria, onde são vendidos como diamantes legais. Como se sabe que isso está acontecendo? Os geólogos conseguem calcular quantos diamantes uma região deveria ter em seus vulcões e rios e quanto produzirá em um ano. Alguns países parecem estar vendendo mais diamantes do que poderiam produzir, então eles devem estar recebendo diamantes de algum outro lugar, talvez contrabandeando de países onde a venda de diamantes é proibida. As empresas de diamantes estão preocupadas, pois, se as pessoas acharem que os diamantes que elas compram podem estar financiando guerras nas quais estão morrendo muitas pessoas, elas podem parar de comprá-los, o que provocaria um colapso no mercado de diamantes.

Então como os colegas de James sabiam do relatório do laboratório dizendo que eram diamantes de conflito? O teste do laboratório mostrava que as marcas dos diamantes eram típicas de diamantes de conflito? Havia algo nos diamantes — alguma evidência dentro de sua estrutura que dava indícios sobre a região do mundo de onde eles haviam sido extraídos.
É possível sabermos de onde vem um diamante?

Vamos dar uma olhada nas evidências que temos até agora. Sabemos que os diamantes contêm pequenas quantidades de outras substâncias, conhecidas como impurezas, que podem definir sua cor. Técnicas óticas especiais podem ser utilizadas para determinar quais são essas impurezas. Essas impurezas são um possível ponto de partida para descobrir a procedência dos diamantes. Por exemplo, sabe-se que Serra Leoa tem um perfil distinto de sulfetos (moléculas que contêm enxofre). Infelizmente, testes não têm sido feitos rotineiramente por todos os países produtores de diamantes do mundo. Para conseguir esse tipo de informação muita pesquisa teria que ser feita para testar diamantes de cada mina. Uma das maiores ciladas desse tipo de identificação é que todo diamante é formado na rocha fundida do manto. Assim como uma panela de água sendo aquecida, o manto tem correntes de convecção bem lentas, que o mantém em movimento e misturado. Por causa dessas correntes, acredita-se que a formação química do manto seja semelhante em qualquer lugar do mundo. Assim, é bem provável que as impurezas dos diamantes sejam bastante parecidas, apesar de eles serem extraídos em diferentes locais da superfície terrestre. Na verdade, descobriu-se que é praticamente impossível distinguir entre os diamantes brutos de zonas de conflito e os diamantes extraídos legalmente em países como Botsuana, o maior produtor de diamantes do mundo.

Então há outros métodos de identificação? Os cientistas analisaram diamantes brutos de diferentes regiões do mundo e descobriram que seu tamanho, formato e irregularidade da superfície podem ser a chave para descobrir sua origem. Contudo, quando diversos diamantes são misturados e têm origens diversas, ainda é muito difícil separá-los de acordo com suas regiões, pois as diferenças entre eles são mínimas. Isso fica ainda mais difícil depois que eles são lapidados e polidos, pois todas essas características originais são removidas.

A chuva pode ser o segredo para a identificação da origem de diamantes brutos. Quando encharca o chão, a chuva entra em contato com os diamantes. Ela pode deixar átomos ou isótopos de hidrogênio sobre a superfície das gemas que são exclusivas das águas de chuva naquela região. Esses átomos ou isótopos ficam firmemente presos na superfície da rocha e não são removidos com facilidade.

Todas essas técnicas parecem diretas, mas elas não funcionam sempre, então, no momento, todos os países que produzem diamantes legalmente assinaram um acordo pelo qual se comprometem a não comprar diamantes de conflito e a manter registros de cada diamante extraído de cada mina. Cada pedra é marcada e catalogada ao longo de sua existência e seus documentos (ou 'certificado de origem') viajam com ela. O uso de técnicas como a marcação tornaria isso possível, mas não seria muito mais fácil se uma técnica como aquela que um dos cientistas de James usou no filme pudesse ser desenvolvida? Bem, talvez isso já tenha acontecido! Em junho de 2002, uma empresa informou que tinha desenvolvido tal máquina, que pode ser utilizada em diamantes brutos e lapidados. Ela ainda não está em operação, mas em breve estará. Os fabricantes dizem que ela é como uma fotocopiadora - coloque um diamante bruto dentro dela e ela identifica todas as suas características exclusivas, sua origem e seu valor, formando a seguir uma cópia heliográfica do diamante para mantê-la gravada e depois faz a marcação do diamante. O custo dessa máquina é estimado em cerca de US$ 1 milhão - não muito caro se você compará-lo aos lucros obtidos todos os anos pela indústria de diamantes.

Há alguma outra parte do filme que você gostaria de investigar? Conte-nos e nós poderemos tentar. Ou por que você não tenta?